STF inicia julgamento do direito das Testemunhas de Jeová de recusar transfusões de sangue pelo SUS

STF avalia se Testemunhas de Jeová têm direito de recusar transfusões de sangue pelo SUS, respeitando suas convicções religiosas.
Redação Imediato Online
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O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta quinta-feira (8) o julgamento de uma questão que envolve a recusa de transfusões de sangue por parte de fiéis das testemunhas de Jeová em tratamentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Corte também decidirá se o Estado deve custear tratamentos alternativos que não envolvam transfusões, em respeito às convicções religiosas desse grupo.

A análise foi motivada por dois casos específicos. No primeiro, uma mulher em Maceió recusou a autorização para uma transfusão de sangue necessária durante uma cirurgia cardíaca, levando o hospital a não realizar o procedimento. No segundo caso, um homem pediu à Justiça que o SUS financie uma cirurgia ortopédica sem transfusão de sangue e cubra os custos do tratamento.

Durante a sessão, a advogada Eliza Gomes Morais Akiyama, que representa a mulher, argumentou que a recusa das transfusões pelas testemunhas de Jeová está profundamente ligada à sua dignidade pessoal e convicções religiosas. Ela destacou a necessidade de o Estado oferecer opções de tratamento que respeitem essas crenças.

O defensor público Péricles Batista da Silva defendeu a criação de um protocolo específico para o atendimento das testemunhas de Jeová, afirmando que a escolha de não receber transfusões deve ser respeitada por médicos que conhecem a condição dos pacientes. “Não há como obrigar um paciente adulto e capaz a receber um tratamento médico”, afirmou.

Por outro lado, o advogado Henderson Furst, da Sociedade Brasileira de Bioética, apontou a insegurança jurídica que essa situação gera para os profissionais de saúde. Ele questionou como a autonomia do paciente pode ser registrada de forma legal, sugerindo que um testamento ou registro em cartório poderia ser necessário.

Os ministros do STF ouviram as argumentações, mas a data para a conclusão do julgamento ainda não foi definida. A decisão da Corte poderá estabelecer um precedente importante sobre a relação entre crenças religiosas e a prática médica no Brasil.

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