Especialista alerta sobre impacto da reforma tributária na Zona Franca de Manaus

Especialista alerta sobre impactos da reforma tributária na Zona Franca de Manaus, um importante polo industrial do país.
Redação Imediato Online
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Em visita à filial do Nelson Wilians Advogados nesta semana, Nelson Wilians fala sobre a repercussão do PLP nº 68/24 no modelo de desenvolvimento econômico da região

MANAUS-AM | A proposta de regularização da reforma tributária ainda gera incertezas para os contribuintes, especialmente aos que estão sediados na Zona Franca de Manaus (ZFM), onde a manutenção dos benefícios fiscais é fundamental para a subsistência da região. A forma como o Projeto de Lei Complementar de regulamentação da Reforma Tributária (PLP 68/2024) foi conduzida sugere um cenário favorável, mas com pontos que merecem atenção.

Fundador e CEO do Nelson Wilians Advogados (NWADV), que há 16 anos possui filial em Manaus, o advogado Nelson Wilians pontua que é necessário estar atento a esses aspectos. Em agenda institucional na capital amazonense, o fundador do maior escritório de advocacia empresarial da América Latina reforça o papel do modelo da ZFM como um dos principais polos industriais do Brasil.

Após a entrega na última quinta (04) do parecer final do Grupo de Trabalho (GT) da Câmara dos Deputados que analisa o PLP 68/2024 e debate as regras gerais de operação dos tributos criados sobre o consumo – que vão substituir o ISS, ICMS, IPI, PIS e Cofins –, a previsão é que a votação do projeto seja iniciada nesta quarta (10).

De acordo com Nelson Wilians – que já recebeu da Câmara Municipal de Manaus (CMM) a Medalha de Ouro Cidade de Manaus por sua atuação marcante no Estado, incluindo na defesa da ZFM contra a decisão de São Paulo que cancelou os créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos produtos comprados na região –, a visita à filial manauara destaca um ponto crucial da PLP 68/2024: a manutenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) exclusivamente para empresas estabelecidas na ZFM.

“A regra geral é incorporá-lo à CBS, porém, para assegurar a manutenção dos benefícios locais, a possibilidade de criação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) para produtos fabricados na ZFM foi sugerida e posteriormente rejeitada. Devido à urgência na aprovação da reforma tributária, optou-se por manter o IPI para empresas na região sem definições claras sobre sua aplicação prática. Isso gera incertezas significativas quanto ao impacto econômico dos incentivos fiscais para a manutenção do modelo da Zona Franca de Manaus”, detalha.

Segundo o presidente do NWADV, a abordagem focada na região é um grande diferencial do escritório. “A Zona Franca de Manaus é o segundo maior polo industrial da América Latina e requer atenção especial devido à sua tributação diferenciada. Com a reforma tributária em andamento, o escritório Nelson Wilians estuda e atua diretamente na manutenção e proteção dos benefícios fiscais da região, sempre visando o crescimento e o desenvolvimento local”, ressalta.

Impactos Locais

A reforma tributária, por si só, é um motivo de total atenção para o NWADV. Conforme Wilians, o interesse dos clientes do escritório merece toda a dedicação da equipe, ainda mais considerando que o projeto impactará todas as áreas de atuação empresarial. “Não podemos focar apenas em um aspecto; precisamos abordar a reforma em sua totalidade. A filial do Amazonas, em particular, concentra seus esforços nos impactos locais, enviando pareceres e sugestões junto aos seus clientes e à Câmara dos Deputados com apontamentos sobre a manutenção dos benefícios regionais”, salienta.

Segundo o advogado, que iniciou sua carreira do zero absoluto e fundou o escritório em meados dos anos 1990, tornando-o uma referência da moderna advocacia brasileira e um exemplo de sucesso em vários aspectos em pouco menos de três décadas, a PLP 68/2024 abrange aspectos como fatos geradores, bases de cálculo, sujeitos passivos, imunidades e regimes específicos e diferenciados, que são pontos de grande preocupação devido ao impacto financeiro, à manutenção de benefícios previamente estabelecidos e aos métodos de arrecadação.

Por conta disso, Wilians faz questão de ressaltar a importância da ZFM. “Com uma receita bilionária e um crescimento de 1,64% em relação ao ano anterior, a região continua atraindo diversas indústrias e empresas varejistas. Isso se deve aos variados incentivos fiscais oferecidos pelos Governos Federal, Estadual e Municipal por meio da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Além disso, o modelo está sustentado tanto pela Emenda Constitucional nº 132/23 quanto pela Lei Complementar nº 68/24, o que fortalece ainda mais sua viabilidade e importância econômica desse modelo”, finaliza.

Fotos: Divulgação

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