Análise de dados contradiz afirmações de prefeito sobre responsabilidade do Estado na Saúde em Manaus

Análise de dados desafia afirmações de prefeito sobre responsabilidades na saúde pública de Manaus.
Redação Imediato Online
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Em recente série de declarações em um programa de TV, o prefeito quando indagado sobre as dificuldades vivenciadas pela população manauara, David Almeida afirmou que a saúde e segurança pública não são problemas da Prefeitura.

“Quando eu falo saúde é 28 de Agosto, é João Lúcio, Fcecon, é Francisca Mendes e Platão Araújo. Quando eu falo da saúde que dá problema é a cirurgia que não está acontecendo e as pessoas acabam fazendo essa ligação com a saúde municipal.”

No entanto, uma análise detalhada dos dados de saúde do primeiro semestre de 2024 pinta um quadro mais matizado, desafiando as afirmações do prefeito e destacando a complexa interação de responsabilidades entre os diferentes níveis de governo.  

No primeiro semestre de 2024, os três Hospitais Pronto-Socorro (HPS) infantis da capital atenderam um total de 111.022 crianças.  Destes, 69.769 foram classificados como casos de baixa complexidade (azul e verde), necessitando tipicamente de atenção básica à saúde. Apesar dessa classificação, todas as crianças foram atendidas e tratadas de acordo com seus sintomas, demonstrando o compromisso do sistema de saúde em prestar assistência independente da complexidade.

Da mesma forma, os três Hospitais Pronto-Socorro Adulto de Manaus (HPS) realizaram um total de 149.242 atendimentos no mesmo período. Destes, 46.564 foram classificados como casos de baixa complexidade, indicando novamente uma proporção significativa de necessidades de saúde que poderiam ser gerenciadas em nível de atenção primária (responsabilidade Municipal).  

Contestando as alegações do prefeito: 

Esses dados sugerem que a maioria das necessidades de saúde não são necessariamente casos de alta complexidade que requerem atenção especializada do Estado. Em vez disso, eles destacam a necessidade de serviços de atenção primária robustos em nível municipal, o que poderia potencialmente aliviar a carga sobre as instalações administradas pelo Estado.  

Análise Comparativa:  

Para contextualizar melhor esses números, é útil compará-los com anos anteriores. Por exemplo, no primeiro semestre de 2023, o número de atendimentos no HPS para Crianças foi de aproximadamente 90.000, indicando um aumento significativo em 2024. Esse crescimento pode ser atribuído a vários fatores, incluindo o crescimento populacional e a maior conscientização sobre os serviços de saúde.

Responsabilidade e Gestão da Saúde

O vereador Allan Campelo, em discurso recente, apresentou dados que reforçam a necessidade de melhorias na gestão municipal. Ele destacou que, em janeiro, uma unidade estadual atendeu 13.097 pessoas, das quais 12.444 foram classificadas como azul, verde ou amarelo, perfis que deveriam ser atendidos na rede básica.

“Eu vejo que a saúde engloba o governo federal, estadual e municipal. O discurso joga a responsabilidade maior no estado, mas trouxe números aqui: de 13.097 atendimentos em janeiro, 12.444 eram de baixa complexidade, que caberiam ao município. A saúde precisa melhorar em todos os níveis, mas a gestão municipal deve se fortalecer para diminuir essa sobrecarga.”

Os dados de saúde de Manaus para o primeiro semestre de 2024 desafiam as reivindicações do prefeito Almeida e ressaltam as complexas responsabilidades compartilhadas entre os diferentes níveis de governo. Embora o Estado desempenhe um papel significativo na prestação de cuidados de saúde, os dados sugerem que uma parcela substancial das necessidades de saúde poderia ser gerenciada em nível municipal com serviços robustos de atenção primária à saúde. Isso exige uma abordagem colaborativa para a gestão de saúde, com foco na eficiência e acessibilidade para garantir o bem-estar da população.

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