Manaus-AM| A cultura amazonense se despede neste domingo (2), de um dos agitadores culturais mais admirados e respeitados das últimas décadas no Brasil, o português mais amoznense que existia, Joaquim Marinho. Aos seus 76 anos, o radialista e colecionador sofria com diabetes, alzheimer e condições cardíacas, morreu em casa, após uma parada cardiorrespiratória.

Dono dos principais cinemas do Centro histórico de Manaus, como Grande Otelo, Joaquim Marinho tinha um acervo cultural invejável, com mais de 100 mil peças. Ele ficou ficou nacionalmente conhecido por ser um dos mais renomados agitadores culturais do Amazonas.
As obras de arte eróticas foram responsáveis pela exposição do colecionador no Brasil quando foi convidado para ser entrevistado pela lenda da TV – Jô Soares. Essa entrevista icônica, você pode assistir abaixo:
Marinho nasceu em Porto/Portugal, em 1º de maio de 1943, entretanto viveu por mais de 60 anos na capital amazonense.
Patrícia Marinho, filha que é responsável pela Casa de Cultura Joaquim Marinho, disse que o pai lutou até o fim contra a doença e outras complicações da diabetes. “A luta contra a doença foi grande. Meu pai foi um grande exemplo e fará muita falta”, lamentou.
Velório e enterro

A família do comunicador José Joaquim Marques Marinho informou que o velório será a partir das 20h, no Salão Nobre do Palácio Rio Negro, na avenida Sete de Setembro. O sepultamento será amanhã dia 03.06, às 16hs no cemitério São João Batista.
Outros depoimentos
Humberto Amorim, amigo, radialista, jornalista e músico, afirmou que a cultura fica em luto e passa a estar empobrecida. “Calou-se o microfone de Joaquim Marinho, calou-se a sua voz”, disse o amigo. Ouça na íntegra o depoimento emocionado de Humberto Amorim:
Para Caio Pimenta, jornalista e proprietário do Cine Set, site de cinema, Joaquim Marinho foi fundamental para a geração cineclubista dos anos 1960, idealizou o I Festival Norte de Cinema Brasileiro e ajudou a fazer o resgate histórico da importância do Silvino Santos, apoiou o cinema amazonense durante a complicada época dos anos 70 e 80, comandou cinemas de rua históricos para a formação de gerações de cinéfilos na cidade, além de ter sido um dos pioneiros na crítica cinematográfica do Estado. “É, sem dúvida, um dos mais importantes da história do cinema no Amazonas com um legado inestimável”, ressaltou Caio.

Denis Thaumaturgo, produtor cultural, músico e um dos organizadores do Festival e movimento Pirão, escreveu em depoimento para Imediato:
Em 1962, Joaquim Marinho entrou contra a tradição Manauara de ouvir o que ele em tom de brincadeira chama de ‘pré-brega’ e propôs a criação de um programa de rock na rádio, o primeiro da história de Manaus, apresentado por ele mesmo, onde tocava Little Richard, Ricky Nelson, Elvis Presley, The Beatles, dentre outros, que na época foi o maior sucesso na cidade.
Ele foi muito importante para Manaus, pois trouxe de fora várias novidades que o mundo abraçou e que Manaus ainda nem conhecia, esse português foi o responsável por não nos deixar a ver navios, e a partir disso a nossa cena “alternativa” passou a existir.”, finalizou Denis.
Rosa dos Anjos, artrista plástica e visula premiada, disse que uma das coisas mais marcantes de Joaquim marinho são as suas colocações da história da memória do Amazonas. “Coisas eternas como estas podem fazer parte de. Nossa história. Nesta vida não levamos nada, mas o tesouro deixado para ser compartilhado com com gerações, é intangível. Ele sempre quis que seus acervos pudessem ser compartilhado com todos, eterno Joaquim Marinho.
Sérgio Andrade, cineasta premiado, explicou que ele faz parte de uma geração que foi tocada pelo espírito vanguardista do Marinho. “Eu era criança e já presenciava as novidades de uma loja de discos importados, a ponto, da maior qualidade, que era do Marinho. Depois vieram os cinemas que era proprietário desde a década de 80: Chaplin, Grande Otelo , Carmem Miranda, Renato Aragão etc. era a alegria da minha adolescência. devemos muito a ele pela agitação e formação cultural de gerações em Manaus; português de nascimento e um amazonense de primeira. Realizou um dos primeiros festivais do Cinema Brasileiro na Amazônia, em 1969, em Manaus, com Glauber e Sganzerla presentes. Minha formação cinéfila e musical agradece (ele tinha um programa de rádio repleto de novidades, era um prazer ouvir seu vozeirão nas tardes). Sem dúvida, um visionário de outros tempos, cheio de sabedoria e sem censuras. Grande Marinho”, lamentou.
O jornalista cultural Luiz Otávio Martins, ressaltou que o nome Joaquim Marinho ficará para sempre gravado na história da cultura amazonense por meio, por exemplo, de suas opiniões que deixaram marca em programas de rádio e TV, em livros. E seu nome será eternamente lembrado também pelo entusiasmo que nutria pela sétima arte. Além de dirigir o primeiro Festival Norte de Cinema Brasileiro, na década de 1960, foi o responsável, ao lado de Antônio Gavinho, por seis célebres salas de exibição no Centro da cidade, que certamente marcaram a vida de inúmeros amazonenses. Por essas e outras realizações, Joaquim Marinho fará uma enorme falta à cultura do Estado. Que descanse em paz “, disse o jornalista.
Notas
O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, e a primeira-dama, Elisabeth Valeiko Ribeiro, lamentam profundamente a morte do comunicador e ícone da cultura amazonense, José Joaquim Marques Marinho, ocorrida às 11h deste domingo, 2/6, aos 76 anos de idade, após uma parada cardiorrespiratória em sua residência.
“Joaquim Marinho se mostrou um grande homem e democrata em momentos importantes do País. Uma pessoa sempre vanguardista, que contribuiu para manter a cultura viva do Brasil e do nosso Estado”, lembrou o prefeito.
Nascido na cidade de Porto, em Portugal, em 1º de maio de 1943, Joaquim Marinho viveu por mais de 60 anos na capital amazonense, onde foi grande expoente da comunicação, cultura e arte na cidade.
Radialista, escritor, dono de um grande acervo cultural e tendo mantido durante décadas cinemas no Centro da cidade, Joaquim Marinho deixa grande legado cultural para o Estado do Amazonas.
Segundo informações de sua família, o velório será realizado no Salão Nobre do Palácio Rio Negro, na avenida Sete de Setembro, Centro, na tarde deste domingo.
Pelo falecimento de Joaquim Marinho, a Prefeitura de Manaus irá decretar três dias de luto oficial.
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