A ameaça aconteceu na manhã da última quinta-feira (8) durante cumprimento a um mandado de prisão preventiva na casa da mãe do acusado
MANAUS-AM| A delegada Débora Mafra, titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DCCM), foi ameaçada pelo advogado Marcelo Oliveira Gonçalves, de 40 anos, suspeito de tentativa de feminicídio contra a sua ex-namorada, Teresa Victória Mota Pinheiro, de 22 anos.

A ameaça aconteceu na manhã da última quinta-feira (8) durante cumprimento a um mandado de prisão preventiva na casa da mãe do acusado, situada no conjunto Petros, bairro Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus.

Em entrevista ao site Imediato, a delegada Débora Mafra relatou que ficou surpresa com as declarações do advogado. Após as ameaças, a delegada teve apoio dos policiais que estavam presentes no ato da prisão.
“Ele chegou para mim e perguntou quem deferiu o mandado de prisão contra ele. Falei que o juiz expediu o mandado e ele retrucou dizendo que tinha mentiras. Logo em seguida respondi me baseei em provas técnicas, que fez o juiz decidir pela prisão preventiva. Ao final disso tudo, ele falou que ia fazer comigo o mesmo que fez com outra delegada. Eu comecei a gritar que estava sendo ameaçada e os policiais ouviram”, conta Mafra.
Marcelo teria dito à delegada que faria perder o processo, entretanto, Débora Mafra apenas estava conduzindo a investigação e teve que agir com imparcialidade.

“Eu fiquei pensando em tudo que aconteceu. Se ele não respeita uma delegada de polícia, imagine uma ex-namorada. A gente fica perplexo diante de um homem da lei, querendo ou não ele conhece a mesma, ter esse tipo de atitude”, conta.
Após receber voz de prisão, Marcelo foi conduzido à DCCM para os procedimentos cabíveis e segue preso cumprindo a decisão da Justiça.
ENTENDA O CASO| O advogado Marcelo Oliveira Gonçalves, 40 anos, foi denunciado pela ex-namorada, Tereza Vitória Mota Pinheiro, 22 anos, por agressão e tentativa de feminicídio após uma tentativa de asfixia e por provocar várias lesões no corpo da vítima. O crime aconteceu na noite do último domingo (21) no bairro Aleixo, zona Centro-Sul da capital.

De acordo com Boletim de Ocorrência registrado pela vítima na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), as ameaças no dia da agressão tiveram início por meio de uma ligação telefônica. O agressor percebeu que a jovem tinha saído de casa e ligou para ela dizendo que caso a mesma não voltasse para casa algo pior aconteceria com ela.
“Eu estava a caminho de um churrasco na casa de uma amiga quando percebi que um carro estava me seguindo. Ele me ligou e em seguida ordenou que eu fosse para casa dele pois não admitia que eu saísse sozinha. Ainda na ligação ele disse que o carro que me perseguia estava sob os comandos dele e caso eu então entrasse na rota da casa dele, algo aconteceria comigo.”, contou a estudante agredida.
A mulher diz ainda que ao chegar na casa do ex namorado foi surpreendida por ele que já a abordou com agressões físicas e xingamento. Durante a briga, Tereza Vitoria foi asfixiada até desmaiar. “Acordei na casa da vizinha dele que era enfermeira e conseguiu me socorrer ao escutar os barulhos da agressão.”, explicou Tereza.
Ainda de acordo com a vítima, após acordar da tentativa de feminicídio ela conseguiu entrar em contato com seus familiares que a levaram até a DECCM onde a denúncia foi registrada. A delegada Déborah Mafra definiu a ocorrência como uma “sessão de espancamento”, tendo em vista os hematomas no corpo da estudante, como por exemplo, nos olhos e também no pescoço.

Essa não é a primeira vez que ela denuncia o advogado. Após a primeira ocorrência, no início de fevereiro deste ano, ele tentou convencê-la a retirar a denúncia em troca de um carro ou de um telefone celular, segundo informações da titular da Delegacia Especializada em Crimes contra as Mulheres, Débora Mafra.
De acordo com a delegada, na ocasião a vítima desistiu da denúncia e eles reataram. Além disso, a vítima chegou a ganhar o carro do advogado, mas a família dela acredita que o veículo estava sendo rastreado para que ele pudesse controlar melhor todos os seus passos.
Já durante a tarde desta quarta-feira (24), Marcelo Oliveira Gonçalves, compareceu até a unidade policial acompanhando de assessoria jurídica para prestar depoimento 48 horas após o crime, já fora do período de flagrante. Na delegacia ele se defendeu negando o crime e dizendo que agiu em legítima defesa após a mulher espancada morder um de seus dedos durante a briga.
Ainda de acordo com a delegada Déborah Mafra, o homem foi indiciado por feminicídio e agora enfrenta o caso na Justiça. Uma medida protetiva também foi executado em favor da vítima agredida, e caso seja descumprida ocasiona a prisão instantânea do acusado.
A assessoria jurídica do agressor emitiu uma nota para se posicionar sobre o caso:
Confira a nota na íntegra:
“Os escritórios de advocacia, Dr Adilson Nery e Dra Iracema Pedrosa, vem por meio desta nota representando os interesses do advogado Marcelo Gonçalves, informar que o mesmo irá dar sua versão dos fatos envolvendo seu nome após o prazo legal de 48h, desde já a defesa antecipa que as acusações sobre o mesmo não condizem com a realidade e serão devidamente refutadas, o advogado teve seu dedo esquerdo mordido pela suposta acusadora e está com hematomas sérios na mão direita, o mesmo afirma categoricamente que não houve nenhum tipo de agressão, tanto é que a acusadora não possui hematomas no rosto, apenas defendeu-se afastando a vitima que não parava de ataca-lo, configurando assim a excludente de ilicitude denominada legitima defesa, o que na verdade foram vias de fatos, o advogado afirma ainda que estava sendo vítima de extorsão por parte da filha e da genitora que toda semana lhe pediam valores pecuniarios, tudo isso será devidamente explicado, confiando na justiça e nos seus direitos.
Atenciosamente, Dr Adilson nery, oab 4124“.