Médica assassinada no Acre: Justiça havia negado duas vezes prisão de suspeito, mesmo após alertas de aproximação

Francisco Valadares Neto, investigado pela morte de Elyne de Assis Nogueira, era monitorado por tornozeleira eletrônica. 
Redação Imediato Online
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O assassinato da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, em Brasiléia, no interior do Acre, ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (5). Informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) revelam que dois pedidos de prisão preventiva contra o advogado e ex-procurador municipal Francisco Valadares Neto, de 55 anos, haviam sido negados antes do crime.

A médica foi morta a tiros na madrugada de segunda-feira (2), em um estabelecimento comercial próximo ao 5º Batalhão da Polícia Militar. O caso é investigado pela Polícia Civil como possível feminicídio.

Segundo o TJAC, Elyne possuía medidas protetivas desde 23 de agosto. Entre as determinações estavam a proibição de aproximação a menos de 100 metros, o impedimento de contato, o monitoramento eletrônico do investigado e a disponibilização de um botão do pânico à vítima.

O Ministério Público solicitou a prisão preventiva de Valadares Neto pela primeira vez em 25 de agosto, mas o pedido foi negado porque, conforme a Justiça, não havia registro de descumprimento das medidas protetivas.

Em setembro, o sistema de monitoramento registrou alertas de aproximação. Um segundo pedido de prisão foi apresentado pelo Ministério Público em outubro, mas também foi rejeitado. O Tribunal justificou que o investigado estava em Minas Gerais, em viagem autorizada judicialmente para tratamento médico, circunstância considerada na avaliação do risco à vítima.

Monitoramento registrou alertas na noite do crime
De acordo com informações do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), o sistema registrou dois alertas de violação da área de exclusão na noite de 2 de novembro.

A equipe responsável pelo monitoramento entrou em contato com o investigado, que se afastou do local, e também conversou com a vítima. Os registros indicam que Valadares Neto chegou à própria residência às 23h11. À 0h12, a Polícia Militar comunicou à equipe os disparos que provocaram a morte da médica.

Na terça-feira (3), a Justiça decretou a prisão preventiva do investigado e autorizou buscas, além do acesso aos dados de dispositivos eletrônicos e aos registros de monitoramento.

Suspeito foi encontrado desacordado
Outro desdobramento divulgado nesta quinta-feira (5) envolve o estado de saúde de Francisco Valadares Neto.

Segundo relatório médico obtido pelo portal ac24horas, o advogado foi encontrado em Brasiléia com alteração do nível de consciência, dificuldade respiratória e intenso sangramento nasal.

O documento relata que foram encontradas embalagens de medicamentos junto ao paciente e uma substância esbranquiçada em sua cavidade nasal, descrita como sugestiva de substância psicoativa. O registro, no entanto, não confirma qual seria a substância nem estabelece a causa do quadro clínico.

Valadares Neto precisou ser intubado e transferido para o Pronto-Socorro de Rio Branco, onde recebeu atendimento sob ventilação mecânica e sedação.

O caso continua sob investigação da Polícia Civil do Acre. A apuração deverá esclarecer as circunstâncias do assassinato e a eventual participação do investigado.

OAB suspendeu advogado por até 90 dias
Além da investigação criminal, a Ordem dos Advogados do Brasil no Acre (OAB-AC) determinou, na terça-feira (3), a suspensão cautelar do exercício profissional de Francisco Valadares Neto por até 90 dias. A medida tem caráter provisório e não representa condenação.

A Polícia Civil também investiga a possibilidade de que o assassinato tenha sido encomendado. Imagens de câmeras de segurança registraram a aproximação de um homem que efetuou disparos contra a médica enquanto ela estava acompanhada de amigos. A autoria e a eventual participação de outros envolvidos ainda estão sendo apuradas.

 

Carregar Comentários