IMAGENS FORTES: Falsa médica é presa após pacientes sofrerem deformidades em clínica no Amapá

Mulher de 40 anos é investigada por realizar procedimentos invasivos sem habilitação; uma das vítimas sofreu deformidade permanente no rosto.
Redação Imediato Online
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Uma mulher de 40 anos foi presa pela Polícia Civil nesta quarta-feira (28), durante uma operação em uma clínica de estética no bairro Paraíso, em Santana, no Amapá. Segundo as investigações, ela realizava procedimentos estéticos e cirúrgicos sem habilitação profissional. Pelo menos três vítimas relataram complicações, e uma delas sofreu deformidade permanente no rosto.

A clínica foi fechada por funcionar sem alvará e licença sanitária. A investigação aponta que a suspeita não possuía registro ou qualificação para realizar os procedimentos oferecidos no estabelecimento.

Procedimento provocou complicações

De acordo com o delegado Anderson Ramos, a investigação começou após uma paciente denunciar complicações decorrentes de uma harmonização facial conhecida como full face, que incluía aplicação de fios de PDO e toxina botulínica.

Segundo a apuração policial, durante o procedimento, a investigada teria feito cortes profundos no rosto da paciente e retirado gordura e tecido das costas para realizar um enxerto facial. A intervenção teria provocado uma infecção bacteriana, atribuída pela investigação à falta de condições adequadas de assepsia.

A Polícia Civil consultou os conselhos profissionais de medicina, enfermagem e biomedicina, que, conforme o delegado, informaram que a mulher não tinha habilitação para executar os procedimentos investigados.

Vítima relata consequências físicas e psicológicas

Uma das pacientes, identificada como Elizângela Matos, contou que procurou a clínica inicialmente para avaliar a possibilidade de realizar uma blefaroplastia, cirurgia para retirada do excesso de pele das pálpebras. Durante o atendimento, porém, recebeu a oferta de outro procedimento, com fios de PDO e enxerto de gordura para suavizar o chamado “bigode chinês”.

Segundo Elizângela, os primeiros sinais de complicação apareceram entre dois e três dias depois, quando as regiões das aplicações ficaram arroxeadas e começaram a inchar. Ela afirma que enfrentou um ano de dificuldades físicas e psicológicas.

A paciente disse que já conhecia o estabelecimento e havia realizado outros procedimentos no local em 2019. Ela voltou a procurar a clínica após ver publicações nas redes sociais, onde o perfil tinha mais de 31 mil seguidores.

Elizângela afirmou que sabia que a investigada não era médica, mas acreditava que ela possuía qualificação para realizar os procedimentos oferecidos.

“Eu não sabia que ela não poderia fazer esse tipo de procedimento, que era só um médico que deveria fazer”, relatou.

Polícia encontrou medicamentos e suspeitas de irregularidades

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os policiais encontraram salas com macas, equipamentos cirúrgicos e medicamentos que, segundo o delegado, apresentavam possíveis irregularidades sanitárias ou dúvidas quanto à regulamentação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A equipe também teria encontrado veneno para baratas próximo aos equipamentos e insetos circulando pelo estabelecimento. Os medicamentos apreendidos deverão passar por perícia, que poderá subsidiar novas apurações.

De acordo com a Polícia Civil, a investigada divulgava procedimentos estéticos e cirúrgicos nas redes sociais, apresentava-se como doutora, prescrevia medicamentos e oferecia intervenções invasivas sem possuir habilitação para executá-las.

Investigação pode identificar outras vítimas

Além das três vítimas relacionadas à investigação que resultou na prisão, a Polícia Civil informou que outros três procedimentos registrados em 2023 na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) poderão ampliar as apurações.

Segundo o delegado, a suspeita já possui condenação anterior e responde a outras investigações, incluindo um inquérito por tentativa de homicídio. Esses procedimentos são distintos da investigação que motivou a prisão desta quarta-feira.

Neste caso, ela deverá responder por lesão corporal de natureza gravíssima, exercício ilegal da medicina em circunstâncias qualificadas pela finalidade de lucro, estelionato e crimes contra as relações de consumo. A responsabilização criminal será definida pela Justiça.

A investigação continua para verificar se há outras pessoas prejudicadas pelos atendimentos realizados na clínica.

Ao relatar a experiência, Elizângela alertou sobre a importância de verificar a habilitação dos profissionais antes de realizar procedimentos estéticos. Ela também destacou que a aparência do estabelecimento, a publicidade e o número de seguidores nas redes sociais não garantem que um serviço seja seguro.

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