A estiagem tem provocado a redução do nível da água em lagos de Pracuúba, município localizado a cerca de 276 quilômetros de Macapá. Com o avanço da seca, alguns trechos estão praticamente sem água, deixando peixes presos em poças de lama e em áreas rasas. Moradores registraram a situação em vídeos, que mostram o impacto da falta de água sobre a fauna aquática.
O cenário preocupa a população local, especialmente as famílias que dependem da pesca artesanal, uma das principais atividades econômicas do município, que tem pouco mais de 4 mil habitantes. A diminuição das áreas alagadas dificulta a atividade pesqueira e pode afetar a reprodução das espécies e a oferta de pescado para comercialização.
Peixes ficam isolados em áreas rasas
Pracuúba integra a Região dos Lagos do Amapá e possui ambientes aquáticos que abrigam espécies como tucunaré, traíra, apaiari, pirarucu e tamuatá.
Durante períodos de estiagem intensa, a redução das áreas inundadas pode isolar os animais em poças e canais com pouca profundidade. Em registros feitos por moradores, tamuatás aparecem em trechos cobertos por lama, situação que pode comprometer a sobrevivência dos peixes caso a água continue diminuindo.
Embora o tamuatá seja adaptado a ambientes com baixa concentração de oxigênio, a permanência em locais praticamente sem água representa um risco para a espécie.
Estiagem ameaça a pesca e a renda local
A redução dos ambientes aquáticos também afeta diretamente as famílias que vivem da captura e da venda de pescado. Com menos água disponível, a pesca pode se tornar mais difícil, enquanto a diminuição dos espaços de reprodução ameaça a manutenção das populações de peixes.
A situação reforça a preocupação com os efeitos da estiagem sobre o equilíbrio ambiental e a economia de Pracuúba. Moradores acompanham a redução dos níveis dos lagos e temem que o agravamento da seca provoque novas perdas para a fauna e para quem depende da atividade pesqueira.