Manaus amanheceu nesta quinta-feira (17) com grande parte da paisagem encoberta por uma intensa camada de fumaça. De um ponto próximo à Ponte Jornalista Phelippe Daou, na região de Iranduba, era possível observar a dificuldade para identificar áreas conhecidas da capital amazonense, incluindo a Ponta Negra, o anfiteatro e o antigo Tropical Hotel.
As imagens mostram a dimensão da fumaça que tomou conta da região. Do outro lado do Rio Negro, bairros da Zona Oeste, como Compensa e Ponta Negra, ficaram praticamente escondidos atrás da cortina de poluição.

A situação também foi percebida por moradores e pessoas que circulavam pela região das praias temporárias às margens do Rio Negro. A baixa visibilidade alterou completamente a paisagem normalmente observada a partir da ponte e de áreas próximas ao rio.
Na manhã desta quinta-feira, dados de monitoramento da qualidade do ar também apontaram níveis preocupantes em diferentes pontos de Manaus. No aplicativo Selva, o Parque Dez chegou a registrar índice classificado como “péssimo”, com concentração de partículas acima de 125,7.
A fumaça é resultado, principalmente, das queimadas registradas nos últimos dias no Amazonas. Além das áreas de mata, incêndios em regiões urbanas também têm contribuído para a piora da qualidade do ar na capital.

Na quarta-feira (16), por exemplo, uma equipe de reportagem acompanhou um incêndio na comunidade Águas Claras, no bairro Novo Aleixo, na Zona Norte de Manaus. O local já teria registrado ocorrências semelhantes em outros momentos.
A presença da fumaça preocupa principalmente pessoas mais vulneráveis aos efeitos da poluição do ar. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com problemas respiratórios podem sentir com maior intensidade os efeitos da exposição à fumaça e às partículas suspensas.
Com a visibilidade reduzida, um dos cartões-postais mais conhecidos de Manaus praticamente desapareceu da paisagem. A Ponta Negra, o anfiteatro e o entorno do Rio Negro ficaram encobertos pela fumaça, deixando uma imagem incomum da capital amazonense.

O cenário também ocorre em meio ao período de vazante do Rio Negro e às preocupações com a estiagem no Amazonas. A combinação de seca, calor e queimadas contribui para a formação de uma atmosfera carregada de fumaça na região.
As imagens registradas nesta quinta-feira mostram a dimensão do problema e reforçam o alerta sobre os impactos das queimadas na qualidade do ar e na rotina da população de Manaus.