“Deixaram minha filha morrer”: mãe denuncia negligência e cobra justiça após morte da filha de 3 anos no Hospital Joãozinho, em Manaus

Monalisa afirma que pediu ajuda à equipe médica diversas vezes, mas, segundo ela, não teria recebido a assistência que esperava. A mãe afirma que, quando conseguiu entrar no local, encontrou a filha amarrada e deitada sobre o próprio vômito.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A mãe de Victória, de 3 anos e 7 meses, denuncia que a filha morreu após passar por atendimento no Pronto-Socorro da Criança Joãozinho, na Zona Leste de Manaus. Segundo Monalisa, a criança, que era diabética e autista, teria enfrentado uma série de problemas durante o atendimento médico. A família pede investigação e responsabilização dos envolvidos.

De acordo com o relato da mãe, Victória foi levada ao hospital após apresentar um quadro de hiperglicemia. Monalisa afirma que, apesar de a filha ser autista e diabética, não teria recebido prioridade durante a triagem.

“Deixaram horas lá na recepção. Depois que minha filha começou a passar mal, ela foi negligenciada pela primeira doutora”, relatou a mãe.

Ainda segundo Monalisa, a menina teria desmaiado enquanto aguardava atendimento e foi encaminhada para a sala de reanimação. A mãe afirma que, quando conseguiu entrar no local, encontrou a filha amarrada e deitada sobre o próprio vômito.

A mulher também denuncia as condições de atendimento e afirma que teria presenciado comportamentos inadequados por parte de profissionais da unidade.

Após permanecer cerca de três dias na sala de reanimação, Victória teria sido transferida para uma enfermaria. Segundo a mãe, a filha recebeu doses de insulina durante o período de internação e posteriormente apresentou um quadro de hipoxemia.

Monalisa afirma que pediu ajuda à equipe médica diversas vezes, mas, segundo ela, não teria recebido a assistência que esperava.

Ainda conforme o depoimento, em determinado momento a criança recebeu 14 unidades de insulina e, posteriormente, sofreu uma parada cardíaca, sendo encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A mãe também relata que a filha teria permanecido sem receber cuidados básicos de higiene durante a internação.

“Minha filha morreu ano passado, mas só esse ano começou a repercutir na cidade de Manaus. Hoje eu vejo essas crianças morrendo dentro do hospital”, afirmou.

Durante o ato, Monalisa esteve acompanhada de familiares de outras crianças que também morreram após receber atendimento em unidades de saúde de Manaus. Entre os casos citados está o de João Victor, cuja mãe, Andresa, também fez denúncias contra o atendimento recebido pelo filho.

Segundo Andresa, João Victor estava internado após um quadro de bronquiolite e, conforme o relato dela, apresentava melhora e aguardava alta quando teria recebido uma medicação em uma dosagem que ela considera elevada.

A mãe afirma que, após o procedimento, o menino precisou ser levado para observação e posteriormente foi intubado.

“Depois de algumas horas, meu filho foi entregue morto para mim num saco preto. Isso não é justo”, declarou.

Pais de Agatha Luna denunciam Hospital da Criança ao Ministério Público após morte de menina de 1 ano e 11 meses

As famílias afirmam que possuem registros e vídeos relacionados aos casos e cobram providências das autoridades responsáveis pela saúde pública no Amazonas.

Durante o protesto, os familiares também citaram o caso de Ágatha Luna, menina que morreu recentemente em Manaus e cuja família também denuncia possíveis falhas no atendimento hospitalar.

Além de cobrarem investigações sobre as mortes, os manifestantes denunciaram problemas estruturais em unidades de saúde, como falta de insumos, condições inadequadas de banheiros e leitos e possíveis falhas na composição das equipes.

O grupo também pediu maior fiscalização dos serviços de saúde e dos profissionais que atuam nas unidades públicas e privadas.

As famílias afirmam que a mobilização não é apenas por justiça pelos filhos que morreram, mas também para evitar que outras crianças passem por situações semelhantes.

Pais de Agatha Luna denunciam Hospital da Criança ao Ministério Público após morte de menina de 1 ano e 11 meses

“A minha filha não volta mais, mas a gente pode fazer alguma coisa pelas outras crianças”, afirmou Monalisa.

As denúncias apresentadas pelas famílias ainda precisam ser apuradas pelos órgãos competentes. O espaço permanece aberto para manifestação da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), da direção da unidade e dos demais profissionais citados.

Carregar Comentários