Uma mulher de 35 anos, identificada como Tainara, permanece internada em estado grave no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, em Manaus, após passar mal durante o expediente na clínica Hapvida. A família denuncia que ela teria recebido os primeiros atendimentos na unidade onde trabalha, mas posteriormente foi transferida para o hospital público sem, segundo os familiares, um diagnóstico definido e sem garantia de leito de UTI.
De acordo com Douglas, irmão de Tainara, ela trabalha na Hapvida há mais de um ano. Na terça-feira, a mulher teria apresentado uma crise convulsiva durante o expediente. Conforme o relato da família, ela recebeu atendimento emergencial, foi estabilizada e posteriormente intubada.
Ainda segundo os familiares, Tainara não possuía um plano de saúde ativo no momento da ocorrência. A família afirma que a unidade teria exigido um depósito de aproximadamente R$ 50 mil para dar continuidade ao atendimento, além de valores referentes à internação, que poderiam aumentar conforme a necessidade do tratamento.

Os familiares afirmam que, após a estabilização, Tainara foi encaminhada ao Hospital 28 de Agosto. A família diz ter recebido a informação de que havia um leito de UTI disponível, mas, ao chegar à unidade, a paciente teria sido encaminhada para a sala vermelha e permaneceu aguardando uma vaga.
“Estamos aqui perdidos. Não temos diagnóstico e não sabemos exatamente o que aconteceu com ela”, relatou o irmão.
A mãe de Tainara também demonstrou revolta com a situação e pediu providências. Segundo ela, a filha trabalhava normalmente quando apresentou o problema de saúde e, desde então, a família enfrenta dificuldades para obter informações sobre o estado clínico da paciente.
“Quanto vale uma vida?”, questionou a mãe, ao cobrar respostas e assistência para a filha.

Em nota, a Hapvida informou que a colaboradora apresentou uma parada cardiorrespiratória durante o expediente, enquanto participava de um procedimento. Segundo a empresa, ela recebeu atendimento imediato e foi reanimada pela equipe responsável.
A unidade afirmou ainda que, após a estabilização, foi realizada a regulação para que Tainara pudesse dar continuidade ao atendimento no Hospital 28 de Agosto. A empresa também confirmou que a colaboradora não possuía plano de saúde ativo, situação que teria motivado o encaminhamento para a rede pública.
A Hapvida declarou que a transferência ocorreu porque a paciente estava estável e apresentava condições clínicas para ser encaminhada. Segundo a empresa, o Hospital 28 de Agosto teria autorizado a transferência por meio de comunicação via e-mail, indicando que a paciente seria encaminhada à sala vermelha para avaliação médica.
A família, entretanto, contesta a situação e afirma que chegou ao hospital sem que houvesse, inicialmente, conhecimento da equipe médica sobre a transferência ou garantia de um leito de UTI.
Até o momento, Tainara permanece em estado grave, aguardando transferência para um leito de terapia intensiva e a realização de novos exames que possam esclarecer a causa do quadro clínico.
A família cobra investigação sobre a conduta adotada durante o atendimento e classifica o caso como uma possível omissão de socorro. A Secretaria de Estado de Saúde também foi procurada para esclarecer a situação referente à disponibilidade de leito e ao atendimento da paciente.