Idosa é vítima de golpe e tem empréstimo de R$ 26 mil feito por falsa servidora do CRAS em Manaus

A família também pede que pessoas que reconheçam a mulher registrada nas imagens ou que tenham passado por uma abordagem semelhante procurem a polícia e registrem ocorrência.
Redação Imediato Online
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Uma idosa de 71 anos, moradora do bairro Compensa, na Zona Oeste de Manaus, foi vítima de um golpe praticado por uma mulher que se passou por assistente social do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). A suspeita foi até a residência da aposentada com a justificativa de realizar um cadastro para que ela tivesse acesso a um suposto benefício relacionado ao gás.

Durante a ação, a falsa servidora conseguiu obter documentos e dados pessoais da vítima e realizou uma fotografia facial. Pouco tempo depois, um empréstimo de aproximadamente R$ 26,1 mil foi contratado em nome da aposentada.

O caso só foi descoberto porque a filha da vítima desconfiou da movimentação e decidiu verificar os acessos e contratos vinculados aos documentos da mãe.

Segundo o relato da idosa, tudo começou quando ela recebeu uma ligação de uma mulher que afirmou ser assistente social do CRAS. A suposta servidora informou que a aposentada teria direito a um benefício relacionado ao gás e que uma profissional iria até a residência para realizar o cadastro.

No dia seguinte, uma mulher que se identificou como “Thalita” apareceu na casa da vítima. De acordo com o relato, ela estava uniformizada e utilizava uma identificação com o símbolo do CRAS, o que fez com que a aposentada acreditasse que se tratava realmente de uma funcionária do órgão.

A mulher entrou na residência e começou a fazer perguntas. Em seguida, solicitou documentos pessoais, confirmou informações sobre o CPF e pediu o telefone da vítima.

A aposentada entregou os dados acreditando que o procedimento fazia parte do cadastro para receber o suposto benefício.

No dia seguinte, a mulher retornou à residência. Dessa vez, a sobrinha da idosa estava presente e passou a questionar a suposta assistente social sobre o procedimento.

Segundo a família, a mulher demonstrou desconforto com os questionamentos e afirmou que precisava apenas confirmar algumas informações. Em seguida, fez uma fotografia facial da aposentada usando o próprio celular.

Depois, deixou o imóvel dizendo que retornaria mais tarde.

A filha da idosa, identificada como Ana Paula, desconfiou da situação porque sabia que procedimentos relacionados a benefícios sociais não costumam ocorrer daquela maneira.

Ela decidiu acessar a conta Gov.br da mãe para verificar se havia alguma movimentação suspeita.

Durante a consulta, encontrou registros de atividades que chamaram a atenção da família, incluindo um acesso relacionado ao INSS e movimentações envolvendo uma conta no Agibank, instituição onde a aposentada afirmou nunca ter possuído conta.

A família procurou o banco para verificar a situação e recebeu a informação de que não havia uma conta aberta em nome da idosa naquela instituição.

A filha, então, acessou o sistema do INSS e verificou a área destinada aos contratos. Foi quando encontrou um contrato de empréstimo consignado no nome da aposentada.

O valor contratado era de aproximadamente R$ 26.146.

De acordo com a família, o contrato havia sido validado pouco tempo depois da visita da falsa servidora.

Durante as tentativas de entender o golpe, a família descobriu que o dinheiro do empréstimo seria enviado para uma conta do PicPay aberta em nome da aposentada.

A filha conseguiu recuperar o acesso à conta por meio do reconhecimento facial e encontrou cinco transferências via Pix agendadas.

Cada operação tinha valor aproximado de R$ 5 mil e seria destinada a outras pessoas.

A família afirmou que, diante do nervosismo e da urgência para impedir que o dinheiro fosse retirado, os Pix foram cancelados.

A instituição financeira também orientou a família a alterar a conta de destino do empréstimo para uma conta legítima da aposentada.

O dinheiro acabou sendo depositado na conta correta e, posteriormente, a família conseguiu realizar a devolução do valor ao banco.

EMPRÉSTIMO PODERIA CHEGAR A R$ 66 MIL
Apesar de o valor contratado ter sido de aproximadamente R$ 26 mil, a família afirma que o contrato previa o pagamento em 90 parcelas e que, considerando os juros, o montante poderia chegar a aproximadamente R$ 66 mil ao final do período.

A filha passou a manter contato com a instituição financeira para impedir que o empréstimo permanecesse vinculado ao benefício previdenciário da mãe.

Segundo a família, a preocupação era de que o valor começasse a ser descontado mensalmente da aposentadoria da idosa.

Durante a apuração do caso, a família identificou que a mesma mulher que teria ido à residência da aposentada na Compensa também teria sido reconhecida em outro caso semelhante ocorrido no bairro Japiim, na Zona Sul de Manaus.

Na ocasião, outra idosa teria sido vítima de um golpe semelhante, com a contratação de um empréstimo de aproximadamente R$ 27 mil.

As duas situações apresentam características semelhantes: mulheres se passando por agentes ou servidoras de assistência social, visitas às residências das vítimas, oferta de supostos benefícios e obtenção de dados pessoais.

Somados, os valores dos dois empréstimos ultrapassam R$ 53 mil.

A família acredita que outras pessoas possam ter sido vítimas do mesmo esquema.

CRAS NEGA PROCEDIMENTO
Após descobrir o golpe, a família procurou uma unidade do CRAS para verificar se a mulher realmente fazia parte do órgão.

Segundo a vítima, uma assistente social informou que o CRAS não realiza esse tipo de visita domiciliar para cadastro de benefícios e que os usuários devem procurar as unidades oficiais para atendimento.

A família também foi informada de que a roupa utilizada pela suspeita não correspondia ao uniforme utilizado pelos servidores do órgão.

A utilização do nome e da identificação visual do CRAS teria sido uma das estratégias utilizadas para conquistar a confiança da aposentada.

Além do prejuízo financeiro e do susto provocado pela contratação do empréstimo, a família afirma que a idosa passou a sentir medo de sair de casa.

Segundo a filha, outras mulheres moram na residência e todas ficaram preocupadas com a possibilidade de novas abordagens ou de algum tipo de represália, principalmente porque os suspeitos perceberam que o esquema havia sido descoberto.

A família registrou boletins de ocorrência e entregou às autoridades informações que podem ajudar na identificação da mulher.

Imagens de câmeras de segurança também registraram a chegada e a saída da suspeita da residência.

As gravações mostram ainda o veículo utilizado durante a ação. A família divulgou a placa registrada nas imagens às autoridades para auxiliar na investigação.

A família decidiu tornar o caso público com o objetivo de alertar principalmente idosos e aposentados para esse tipo de abordagem.

A orientação é que qualquer pessoa desconfie de indivíduos que apareçam em casa oferecendo benefícios e solicitem documentos, informações bancárias, senhas ou reconhecimento facial.

Em caso de dúvida, a recomendação é não fornecer dados pessoais e procurar diretamente os órgãos oficiais responsáveis pelo benefício.

A família também pede que pessoas que reconheçam a mulher registrada nas imagens ou que tenham passado por uma abordagem semelhante procurem a polícia e registrem ocorrência.

O caso segue sendo investigado pelas autoridades.

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