Novas imagens e o relato apresentado pelo investigador da Polícia Civil do Amazonas ajudam a reconstruir a ocorrência registrada na manhã de quinta-feira (20), em Manaus, envolvendo uma viatura da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) e um motorista de aplicativo.
Segundo a versão apresentada pelo policial, a situação começou por volta das 8h35, quando ele seguia para o trabalho pela faixa da direita e em baixa velocidade. De acordo com o investigador, um veículo teria se aproximado pela traseira, utilizando luz alta e buzina de forma insistente.
O policial afirmou que, inicialmente, não entendeu o motivo da aproximação e chegou a suspeitar que poderia estar sendo alvo de um assalto ou de algum tipo de emboscada.
“Eu fiquei pensando: será que é assalto? Será que é alguém querendo me atacar, me dar um tiro? Será que é um bonde, uma facção querendo me pegar?”, relatou.
Ainda conforme o investigador, ele reduziu a velocidade para permitir que o veículo ultrapassasse pela esquerda. No entanto, segundo sua versão, a ultrapassagem não aconteceu e o outro automóvel acabou atingindo levemente a traseira do carro.
O policial disse que decidiu não parar naquele momento por receio de que se tratasse de uma tentativa de assalto. Ele continuou dirigindo até chegar a uma região onde o trânsito estava mais lento.
Confira novas imagens:
MOTORISTA TERIA FECHADO A PASSAGEM
Segundo o relato, por volta das 8h45min52s, o trânsito diminuiu nas proximidades de uma rotatória. Nesse momento, o veículo que estaria acompanhando o investigador apareceu novamente e, segundo ele, fechou sua passagem.
“Ele me tranca, sem mais, sem menos. Aí eu me vi encurralado”, afirmou.
Diante da situação, o investigador contou que decidiu sair do veículo, identificou-se como policial e ordenou que o motorista se deitasse no chão.
O condutor teria obedecido à determinação e informado que trabalhava como motorista de aplicativo. Conforme o policial, ele recebeu a CNH do homem e imediatamente começou a solicitar apoio.
Enquanto aguardava o apoio, outras pessoas começaram a se aproximar da ocorrência. O investigador relatou que um dos presentes passou a questionar a abordagem e a gritar contra a ação policial.
“Meu irmão, te afasta, te afasta. A ocorrência não é contigo. Mantenha a distância”, teria dito o policial ao homem.
Com a movimentação, outros veículos também teriam parado na região, provocando congestionamento e aumento da aglomeração.
O investigador afirmou que pediu ao motorista para retirar o carro da via, com o objetivo de liberar o trânsito e continuar a ocorrência em um local mais seguro.
Segundo ele, depois de muita insistência, o motorista teria concordado em retirar o veículo.
INVESTIGADOR DIZ QUE MOTORISTA AVANÇOU
A situação, entretanto, teria voltado a ficar tensa quando o investigador entrou novamente no veículo oficial, um HB20.
O policial relatou que, naquele momento, ouviu pessoas gritando frases como “pega ele” e “vamos tomar a arma dele”. Segundo sua versão, o motorista teria avançado em sua direção.
“Eu já dentro da viatura, já dentro do carro, em posição vulnerável”, afirmou.
O investigador disse que não sabia se o motorista pretendia agredi-lo, retirá-lo do veículo ou pegar sua arma. Diante disso, teria apontado a arma e ordenado que o homem se afastasse.
“Quando ele correu para cima de mim, eu apontei a arma e falei: ‘afasta, afasta, afasta’”, declarou.
DISPARO FOI EFETUADO CONTRA SACOS DE LIXO
Na sequência, segundo o policial, foi efetuado um único disparo.
O investigador afirmou que não atirou contra o motorista, mas direcionou o tiro para sacos de lixo localizados no canteiro central.
“Mas atirei nele? Não. Atirei naquele monte de saco de lixo que estava ali”, disse.
Ainda conforme o relato, após o disparo, o motorista teria recuado e se ajoelhado, colocando as mãos para cima.
O policial voltou a se aproximar e pediu que o condutor retirasse o veículo da frente e que ambos fossem conversar.
VIATURA TERIA SIDO ATINGIDA POR PEDRA
A ocorrência teria ficado ainda mais tensa após uma pedra atingir a parte traseira da viatura.
“De repente eu escutei o barulho no tampão do carro, pif, uma pedrada”, relatou o investigador.
Segundo ele, diante da presença de várias pessoas e do que classificou como um ambiente hostil, decidiu deixar o local para evitar que a situação evoluísse para um confronto maior.
O investigador afirmou que estava sozinho e temia que uma nova agressão pudesse obrigá-lo a reagir de maneira mais grave.
“Eu estou sozinho. Se esses caras voarem em mim aqui, eu vou ter que atirar em gente para sobreviver. Vai ficar pior”, declarou.
MOTORISTA FOI ORIENTADO A SEGUIR PARA A DEHS
Com a CNH do motorista em mãos, o investigador informou que trabalhava na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros, localizada nas proximidades, e determinou que o condutor o acompanhasse até a unidade.
“Eu trabalho aqui na Delegacia de Homicídios. Aqui do lado do Platão. Me segue. Vamos para lá, vamos conversar na delegacia”, relatou.
Segundo o policial, o motorista teria concordado e seguido posteriormente para a unidade. O investigador afirmou ainda que o condutor teria permanecido alguns minutos no local conversando com populares e buscando imagens feitas por celulares antes de seguir para a delegacia.
Durante o deslocamento para a DEHS, pela região da avenida Itaúba, uma equipe da Polícia Militar teria abordado o investigador após receber informações de que havia ocorrido disparo de arma de fogo.
Segundo o relato, os policiais disseram que haviam sido informados de que ele estaria efetuando disparos e assaltando.
O investigador negou a acusação e explicou que era policial e estava se deslocando para a Delegacia de Homicídios para apresentar a ocorrência.
Na sequência, o motorista também teria chegado à unidade e demonstrado insatisfação com a abordagem inicial.
INVESTIGADOR DIZ QUE CASO ESTÁ À DISPOSIÇÃO DAS AUTORIDADES
O policial afirmou que apresentou a ocorrência à autoridade policial de plantão e declarou que os fatos poderiam ser analisados pelos órgãos responsáveis.
“Quem quiser apurar, pode apurar”, afirmou durante o relato.
Sobre o disparo, o investigador sustentou que a ação ocorreu diante do que considerou uma situação de agressão iminente e que o tiro foi direcionado para um ponto diferente do motorista.
“Eu não posso pagar para ver. Eu não sou pago para morrer”, declarou.
Ele também afirmou que considerou ter utilizado um meio que, na sua avaliação, foi moderado, já que realizou apenas um disparo e não atingiu o motorista.
As novas imagens deverão ser analisadas juntamente com os depoimentos dos envolvidos e demais elementos da ocorrência para esclarecer a dinâmica do caso.