Familiares e sobreviventes do naufrágio da lancha Lima de Abreu XV realizaram uma manifestação nesta quarta-feira (19), na Balsa Amarela, no Centro de Manaus, para cobrar respostas e o avanço das investigações sobre o acidente que aconteceu há seis meses, na região do Encontro das Águas.
O naufrágio ocorreu em 13 de fevereiro de 2026, quando a embarcação fazia a rota entre Manaus e Nova Olinda do Norte. A tragédia deixou três pessoas mortas, cinco desaparecidas e 71 sobreviventes resgatados com vida.
O ato ocorre um dia antes da audiência de instrução e julgamento do processo criminal, marcada para esta quinta-feira (20), na Justiça do Amazonas.
Três pessoas morreram e cinco continuam desaparecidas
As vítimas fatais confirmadas são Samila de Souza, de 3 anos; Lara Bianca, de 22 anos; e Fernando Grandêz, de 39 anos. O corpo do cantor gospel Fernando Grandêz foi localizado dias após o acidente e reconhecido pela família.
Cinco passageiros continuam desaparecidos:
Ana Carla Izel, de 40 anos;
Apoliana Oliveira, de 36 anos;
Patrícia Barroso da Silva, de 37 anos;
Renato Alan Melo Basto;
Romualdo Marcião de Almeida, de 80 anos.
As buscas foram realizadas pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) desde o dia do acidente. Após meses de operações, a corporação informou em julho que havia esgotado as possibilidades de localização das vítimas e encerrou oficialmente a operação. Mesmo com a suspensão, os bombeiros afirmaram que poderiam retomar os trabalhos caso surgissem novos indícios.
Famílias pedem retirada da embarcação
Durante a manifestação, familiares voltaram a cobrar a retirada da lancha, que permanece submersa no Rio Negro.
Uma das sobreviventes, identificada como Júlia, afirmou durante entrevista à reportagem que o objetivo dos familiares é obter respostas sobre o que aconteceu e responsabilizar quem eventualmente tenha contribuído para a tragédia.
Apoliana Oliveira, uma das pessoas que permanecem desaparecidas, também foi citada durante a manifestação. Familiares afirmam acreditar que alguns dos desaparecidos possam ainda estar dentro da embarcação e defendem que a retirada da lancha seja realizada.
A retirada da embarcação também é apontada pelas famílias como uma medida que poderia contribuir para esclarecer o que ocorreu e, eventualmente, localizar vítimas que continuam desaparecidas.
Piloto é réu por homicídio qualificado
O comandante da Lima de Abreu XV, Pedro José da Silva Gama, responde a processo criminal relacionado ao naufrágio. A Justiça do Amazonas recebeu, em abril, a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM), tornando o comandante réu por homicídio qualificado.
Segundo a denúncia, testemunhas sobreviventes relataram que Pedro conduzia a embarcação em alta velocidade e teria realizado uma disputa com outra lancha antes do acidente. A acusação sustenta que ele teria mantido a velocidade mesmo diante de condições adversas e de alertas feitos por passageiros.
A defesa do acusado tem direito de apresentar sua versão dos fatos, e a responsabilidade criminal ainda será definida pela Justiça.
Pedro José da Silva Gama está preso desde 16 de março, quando se apresentou à polícia para cumprir o mandado de prisão preventiva.
Audiência está marcada para quinta-feira
A audiência de instrução e julgamento do processo está prevista para 20 de agosto, na 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus. A etapa faz parte da fase de instrução, quando são produzidas provas e ouvidas testemunhas antes de uma eventual decisão sobre o envio do caso a julgamento pelo Tribunal do Júri.
O processo tramita sob o número 0039118-94.2026.8.04.1000.
Inquérito da Marinha foi concluído
Além da investigação criminal, o naufrágio também foi apurado pela Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, por meio de um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN).
O procedimento foi concluído em 23 de julho e encaminhado ao Tribunal Marítimo, que deverá analisar o caso dentro de sua competência. Até o momento, o conteúdo e as conclusões do inquérito não foram divulgados publicamente.
O Tribunal Marítimo informou que recebeu a documentação e dará andamento aos procedimentos previstos na legislação para analisar as circunstâncias do acidente e possíveis infrações relacionadas à segurança da navegação.
Em julho, a Justiça do Amazonas também determinou que a Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental encaminhasse a íntegra do inquérito marítimo aos autos do processo criminal. A decisão considerou o material relevante para o esclarecimento dos fatos, por poder conter depoimentos, laudos, perícias, imagens e documentos relacionados à embarcação e às vítimas.
Relembre o naufrágio
A Lima de Abreu XV, operada pela empresa Lima de Abreu Navegações, deixou o Porto da Manaus Moderna por volta das 12h30 de 13 de fevereiro, com destino a Nova Olinda do Norte.
A embarcação transportava cerca de 80 pessoas. Durante a viagem, naufragou na região do Encontro das Águas, provocando uma operação de resgate que envolveu Corpo de Bombeiros, Marinha, Polícia Militar, Defesa Civil e outras equipes.
Ao todo, 71 pessoas foram resgatadas com vida. Três mortes foram confirmadas e cinco passageiros continuam desaparecidos.
Seis meses após a tragédia, os familiares seguem cobrando respostas sobre as circunstâncias do naufrágio, a localização dos desaparecidos e a responsabilização dos envolvidos.