A família do professor Guilherme Pereira Lima Filho, de 66 anos, uma das três vítimas fatais da chacina registrada no bairro São Jorge, zona Oeste de Manaus, se reuniu durante o velório para se despedir do docente e pedir justiça. Guilherme era professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e, segundo os familiares, não tinha qualquer envolvimento com o crime.
O momento foi marcado por emoção, tristeza e revolta. Familiares lamentaram a morte violenta do professor e destacaram a trajetória profissional e pessoal de Guilherme, descrito como uma pessoa dedicada ao trabalho, à família e à educação.

Segundo familiares, Guilherme tinha uma viagem a trabalho marcada para Brasília. O embarque estava previsto para segunda-feira (17), às 15h, poucas horas depois do crime que tirou sua vida.
A informação aumenta a comoção entre os parentes, que relatam que o professor tinha compromissos profissionais e seguia sua rotina normalmente. Em vez de embarcar para Brasília, a família precisou se reunir para organizar o velório e se despedir do professor.
Família pede justiça
Durante o velório, familiares reforçaram o pedido para que o responsável pelo crime seja responsabilizado. A irmã de Guilherme, Nora Ney, afirmou que a família recebeu a notícia de forma inesperada e destacou as qualidades do professor.
Segundo ela, Guilherme era uma pessoa correta, dedicada ao trabalho e considerado um exemplo dentro da família.
“Ele era uma pessoa direita, gostava das coisas perfeitas, vivia do trabalho, era um professor exemplar”, relatou.

A familiar também afirmou que a morte provocou grande impacto entre os parentes.
“Ele não merecia isso. Nenhuma pessoa merece morrer brutalmente como fizeram com o nosso irmão”, disse.
A sobrinha de Guilherme, Regina, também falou sobre a perda e destacou as manifestações de carinho recebidas de alunos e pessoas que conviveram com o professor.
“Meu tio era uma pessoa maravilhosa. As pessoas só falam coisas boas dele”, afirmou.
Como o professor teria sido envolvido no crime
Conforme o relato apresentado pela família, Guilherme teria sido surpreendido durante o ataque. Segundo a sobrinha, o suspeito, identificado como Eze Nilson, teria ido até o imóvel para pedir dinheiro ao pastor Francisco Chagas.
Após a negativa, o suspeito teria iniciado as agressões contra Francisco e a filha dele, Isabela Chagas. Guilherme teria ouvido os barulhos e ido verificar o que estava acontecendo, sendo surpreendido pelo criminoso.

Francisco, de 81 anos; Isabela, de 28; e Guilherme, de 66, morreram no local. Uma quarta vítima, que seria proprietária do imóvel, foi socorrida e permanece internada no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto.
Suspeito está preso
Eze Nilson foi localizado pela Polícia Civil horas após o crime, no bairro São Geraldo, em Manaus. Ele foi conduzido para a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), onde permanece preso e aguarda encaminhamento para audiência de custódia.
A principal linha de investigação aponta que o crime teria sido motivado por uma dívida superior a R$ 16 mil com agiotas. O suspeito teria ido até a residência em busca de dinheiro e, após não conseguir o valor, teria atacado as vítimas.

A Polícia Civil continua investigando o caso para esclarecer toda a dinâmica do crime e verificar se houve participação de outras pessoas.
Enquanto isso, durante o velório, familiares e amigos se despedem de Guilherme e relembram a trajetória do professor, que tinha compromissos profissionais e uma viagem marcada para Brasília no mesmo dia em que acabou sendo vítima da chacina.
A família pede que o caso não fique impune e que a Justiça responsabilize o autor do crime.