O suspeito de cometer o triplo homicídio que chocou Manaus foi preso no início da noite desta segunda-feira (17), menos de 12 horas após o crime, segundo a Polícia Civil do Amazonas. O caso aconteceu em uma residência no bairro São Jorge, zona Oeste da capital. Três pessoas morreram e uma quarta vítima ficou gravemente ferida e permanece internada em um hospital da cidade.

Durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (18), o delegado responsável pelas investigações afirmou que a ação criminosa teve motivação patrimonial. Segundo a polícia, o suspeito teria ido até a residência com a intenção de conseguir dinheiro para pagar uma dívida de aproximadamente R$ 19 mil com agiotas.
“Precisamos mostrar resposta e, dessa forma, comprovar que o crime não tem a última palavra no Estado do Amazonas”, declarou o delegado ao destacar o trabalho das equipes envolvidas na investigação.

De acordo com as investigações, o suspeito conhecia as vítimas e tinha uma relação familiar com elas. Ele foi casado com a filha de Francisco Chagas, de 81 anos, uma das pessoas assassinadas. Conforme a polícia, Francisco ajudava financeiramente o neto, filho do suspeito, que possui necessidades específicas.
Suspeito entrou na casa durante a madrugada
A investigação começou logo após a Polícia Civil ser acionada para atender a ocorrência. Imagens de câmeras de segurança obtidas nas proximidades do imóvel foram fundamentais para identificar o autor.
Segundo o delegado, as imagens mostram o suspeito chegando ao local por volta das 5h30. Ele teria estacionado a motocicleta do outro lado da rua e entrado na residência pulando um muro.

O homem permaneceu no imóvel por aproximadamente duas horas e meia, deixando o local por volta das 7h. As imagens também teriam registrado o suspeito saindo com objetos pertencentes às vítimas.
A partir das características físicas, da motocicleta, do capacete e de outros elementos observados nas imagens, os investigadores chegaram ao nome do suspeito.
Durante o interrogatório, segundo a polícia, ele confessou o crime e relatou aos investigadores a dinâmica da ação.
Vítimas foram atacadas com martelo
Conforme o relato apresentado pela Polícia Civil, o alvo inicial do suspeito seria Francisco. A intenção era conseguir dinheiro para quitar a dívida com agiotas.
Ainda segundo a investigação, houve uma discussão entre os dois dentro da residência. O suspeito teria utilizado um martelo que já carregava consigo e atacado Francisco.
Os gritos da vítima fizeram com que Isabela Chagas, de 28 anos, filha de Francisco, fosse até o local para verificar o que estava acontecendo. Ela também foi atacada.
Guilherme Pereira Lima Filho, de 66 anos, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que morava em outro andar do imóvel, teria ouvido os gritos e se deslocado até o local. Ele também foi atingido e morreu.

A quarta vítima, identificada como Dilma, também teria ido verificar a movimentação após ouvir os gritos. Ela foi atacada, mas sobreviveu e permanece internada em estado grave.
A Polícia Civil informou que trabalha com a possibilidade de que o suspeito tenha agido sozinho. A análise da cena do crime e das imagens teria indicado a presença de apenas uma pessoa no imóvel durante a ação.
Suspeito procurava dinheiro
Após atacar as vítimas, o homem teria continuado dentro da residência à procura de dinheiro. Segundo a polícia, ele encontrou um pequeno cofre contendo aproximadamente R$ 900.
Além do dinheiro, foram levados celulares das vítimas. Um dos aparelhos foi recuperado pelos investigadores. A polícia informou ainda que o suspeito teria descartado outros objetos e a possível arma utilizada no crime em uma área próxima a um córrego.

As roupas que teriam sido usadas durante o crime também foram localizadas. Segundo a investigação, elas já estavam sendo lavadas e teriam sido apreendidas para análise pericial.
Dívida com agiotas teria motivado crime
Durante o interrogatório, o suspeito teria afirmado que devia aproximadamente R$ 19 mil a agiotas e que estava sendo pressionado para quitar o débito.
De acordo com o delegado, o homem teria procurado Francisco inicialmente para pedir dinheiro. A investigação aponta que a situação financeira teria sido o motivo para a invasão da residência e para os ataques.

A polícia ressaltou, entretanto, que o valor encontrado na casa era muito inferior ao que o suspeito procurava.
“O crime foi praticado por uma questão patrimonial. Nenhum valor justifica tirar a vida de qualquer ser humano”, afirmou o delegado durante a coletiva.
Investigação descartou outras hipóteses
Logo após o crime, diferentes hipóteses chegaram a ser levantadas sobre a motivação do ataque. Entre elas estavam a possibilidade de envolvimento de facções criminosas ou até mesmo de um ritual.
No entanto, conforme o avanço das investigações e a análise das imagens de segurança, essas possibilidades foram descartadas pela Polícia Civil.
A investigação apontou que a ação teria sido planejada para conseguir dinheiro e que o suspeito conhecia a família.
Segundo a polícia, ele não possuía antecedentes criminais conhecidos e, durante o interrogatório, chegou a alegar legítima defesa. A versão, porém, não foi aceita pelos investigadores diante dos elementos reunidos no inquérito.
Prisão ocorreu no mesmo dia
As equipes da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) trabalharam de forma ininterrupta após o crime. Segundo a Polícia Civil, a prisão aconteceu por volta das 18h ou 19h da segunda-feira.
O suspeito foi localizado nas proximidades de onde morava. Com ele, conforme a polícia, foram encontrados a motocicleta e o capacete que teriam sido utilizados no crime, além de outros objetos relacionados à investigação.
Para o delegado, a atuação integrada entre as forças de segurança foi fundamental para a rápida elucidação do caso.
A Polícia Militar atuou no isolamento da área do crime, enquanto os investigadores realizaram a coleta de informações, análise de imagens e identificação do suspeito.
O homem permanece à disposição da Justiça e deverá responder por crimes relacionados ao roubo que resultou nas mortes e pela tentativa contra a vítima sobrevivente. A Polícia Civil informou que novas diligências ainda serão realizadas para concluir o inquérito.
Enquanto isso, a quarta vítima segue internada em estado grave. A sobrevivência dela é considerada importante para o esclarecimento de detalhes da dinâmica do crime, embora a polícia já tenha reunido elementos que, segundo os investigadores, apontam para a autoria do suspeito preso.