Uma mulher identificada como Jaqueline foi presa nesta segunda-feira (10) suspeita de envolvimento no sequestro da recém-nascida Ayla Sofia, de 23 dias, em Manaus. Segundo informações preliminares da investigação, ela seria a responsável por planejar a ação e teria utilizado as redes sociais para se aproximar da mãe da bebê antes do crime.
O caso começou a ser articulado, conforme as primeiras informações levantadas pela Polícia Civil do Amazonas, cerca de 15 dias antes do sequestro. Durante esse período, Jaqueline teria mantido contato frequente com Márcia, mãe da recém-nascida, e criado uma relação de confiança.
A suspeita teria informado à mãe que possuía itens para doar à criança, entre eles fraldas e um carrinho de bebê. A partir dessa estratégia, teria convencido Márcia a sair de casa para receber os supostos donativos.
No domingo (9), dia em que o sequestro ocorreu, Jaqueline teria oferecido pagar um transporte por aplicativo para que Márcia fosse até o local onde receberia as doações. Inicialmente, a mãe teria sido informada de que a entrega aconteceria na região da Compensa. No entanto, segundo o relato apresentado durante a investigação, o destino acabou sendo alterado para a área do Grande Vitória.
Márcia estava acompanhada do marido e levava a recém-nascida quando chegou ao local indicado.
Mãe é localizada durante a madrugada
Após a ação, a mãe da bebê foi localizada durante a madrugada. Um motociclista que trabalhava com transporte por aplicativo teria ajudado no encontro e acionado as autoridades.
Enquanto as equipes policiais realizavam diligências para localizar a criança, familiares e moradores acompanhavam apreensivos o andamento das buscas.
A investigação avançou durante a segunda-feira, quando uma denúncia levou policiais até uma residência na região da Compensa.
VÍDEO: veja o momento exato em que suspeita de sequestrar recém-nascida de 23 dias é presa em Manaus
Bebê é encontrada em varanda
A recém-nascida foi encontrada em uma varanda de uma residência após a moradora ouvir o choro da criança. Ao perceber a presença da bebê, a mulher a acolheu e acionou as autoridades.
Policiais militares foram enviados ao endereço e encontraram a criança. De acordo com as informações divulgadas, Ayla apresentava sinais de desidratação e havia sido exposta ao calor.

A bebê foi encaminhada para atendimento médico em uma unidade de saúde localizada na região da Compensa. A mãe também recebeu atendimento.
O encontro da criança encerrou horas de buscas e mobilizou equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar.
Câmeras registram momento em que bebê é deixada
Imagens de câmeras de segurança passaram a ser analisadas pelos investigadores e teriam registrado o momento em que a recém-nascida foi deixada na varanda da residência.
As gravações são consideradas importantes para a investigação porque podem ajudar a identificar a movimentação dos envolvidos e esclarecer como a criança chegou ao imóvel.
Em uma das imagens divulgadas durante a cobertura do caso, uma mulher aparece deixando a bebê no local. A Polícia Civil aponta Jaqueline como suspeita de participação na ação.
Também teria sido localizado um bilhete deixado junto à criança. Segundo as informações preliminares, o conteúdo fazia referência à venda da bebê. A origem e o significado do bilhete ainda deverão ser esclarecidos pelos investigadores.
Três suspeitos são presos
Além de Jaqueline, outros dois homens foram presos por suspeita de envolvimento no caso. Eles foram identificados como Wesley e Lucas.
Os três foram conduzidos para a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), onde passaram a ser interrogados pelos investigadores.
Jaqueline foi localizada na região do Cacau Pirêra, no município de Iranduba, após horas de diligências realizadas pelas forças de segurança. Depois da prisão, ela foi levada para Manaus e apresentada na DEHS.
Durante a chegada à delegacia, a suspeita negou ter sequestrado a recém-nascida. Questionada por jornalistas, ela afirmou que não havia cometido o crime e apresentou uma versão segundo a qual a mãe teria permanecido no local por vontade própria.
As declarações deverão ser confrontadas com os depoimentos, imagens de câmeras de segurança e demais elementos reunidos pela Polícia Civil.
Investigação busca esclarecer motivação
A Polícia Civil ainda investiga qual teria sido a motivação do crime e o que os suspeitos pretendiam fazer com a recém-nascida.
A principal linha apresentada até o momento aponta que Jaqueline teria criado uma aproximação com a mãe da bebê pelas redes sociais e utilizado a suposta doação de produtos infantis para atraí-la.
Os investigadores também deverão esclarecer qual foi exatamente a participação de Wesley e Lucas na ação, além de identificar se outras pessoas tiveram envolvimento no planejamento ou na execução do crime.
A existência do bilhete encontrado junto à criança também será analisada. A possibilidade de que o documento tenha sido utilizado para simular uma negociação ou indicar uma tentativa de venda da bebê ainda depende da conclusão das investigações.
O desaparecimento da recém-nascida provocou uma grande mobilização das forças de segurança em Manaus. Equipes realizaram diligências durante várias horas para localizar a mãe e, posteriormente, encontrar a criança.
A localização de Ayla na tarde desta segunda-feira trouxe alívio à família, que aguardava informações sobre o paradeiro da bebê.
Com a prisão dos três suspeitos, a Polícia Civil agora concentra os esforços na reconstrução de toda a dinâmica do crime.
Os três presos devem passar por audiência de custódia. O caso continua sob investigação da Polícia Civil do Amazonas.