A transformação digital do trânsito brasileiro tem ampliado o acesso dos motoristas a serviços eletrônicos e aberto espaço para novas soluções tecnológicas voltadas à fiscalização e ao direito de defesa. Nesse cenário, o aplicativo BIBI surge com a proposta de analisar tecnicamente autos de infração de trânsito e apontar possíveis inconsistências antes que o condutor decida pagar ou recorrer da multa.
Com a digitalização de serviços como a Carteira Digital de Trânsito (CDT), o Sistema de Notificação Eletrônica (SNE), a plataforma Gov.br e a modernização dos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans), aumentou também o número de autuações processadas eletronicamente. Ao mesmo tempo, casos envolvendo revisões de multas e questionamentos sobre a regularidade de sistemas de fiscalização evidenciaram a necessidade de mecanismos de análise técnica.
Segundo a empresa, o BIBI foi desenvolvido para preencher essa lacuna. A plataforma utiliza um motor próprio de análise preditiva baseado no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), no Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito, em resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), normas técnicas e procedimentos administrativos adotados pelos órgãos de trânsito.
De acordo com a empresa, a inteligência artificial atua apenas como ferramenta complementar. A análise é realizada inicialmente pelo sistema proprietário da plataforma, que cruza informações e verifica possíveis inconsistências técnicas, administrativas, processuais e metrológicas relacionadas ao auto de infração. Posteriormente, modelos de IA organizam e estruturam os fundamentos técnicos identificados.
Em entrevista, o diretor de Marketing Digital do aplicativo BIBI, Athos Trajano, afirmou que a proposta da plataforma é facilitar o acesso dos motoristas ao direito de defesa previsto na legislação.
“Hoje, no Brasil, são aplicadas mais de um milhão de multas de trânsito todos os dias e, segundo dados do próprio governo, pelo menos 50% dessas multas apresentam algum tipo de inconsistência ou irregularidade. O BIBI nasceu como uma solução mobile conectada diretamente à Senatran, permitindo que o motorista consulte gratuitamente suas infrações, CNH, pontuação e veículos, além de analisar se determinada multa possui alguma inconsistência técnica”, explicou.
Segundo Trajano, caso a plataforma identifique possíveis irregularidades, o motorista pode contratar um serviço para elaboração de um recurso técnico.
“Nosso sistema verifica, por exemplo, se o radar estava devidamente aferido pelo Inmetro, se os procedimentos legais foram cumpridos pelo agente de trânsito e se todos os requisitos previstos na legislação foram observados. Havendo inconsistências, por uma taxa de R$ 20, o sistema organiza essas informações e gera um recurso técnico para ser apresentado ao órgão responsável”, afirmou.
A empresa ressalta que a ferramenta não incentiva recursos indiscriminados contra todas as autuações. O objetivo, segundo o aplicativo, é fornecer elementos técnicos que permitam ao condutor identificar quando uma multa apresenta fundamentos para contestação e quando deve ser simplesmente quitada.
Além de motoristas particulares, a plataforma também atende profissionais do transporte, empresas, transportadoras, locadoras de veículos, gestores de frotas e parceiros especializados.
Para a empresa, o avanço da tecnologia deve beneficiar tanto a fiscalização quanto os cidadãos.
“Queremos que o motorista tenha uma ferramenta simples, acessível e de baixo custo para combater eventuais excessos na aplicação de infrações de trânsito, pagando apenas as multas que forem realmente devidas”, concluiu Athos Trajano.