VEJA VÍDEO: Jornalista denuncia agressão física e racismo durante cobertura do Festival de Parintins

De acordo com seu relato, a situação começou quando ele fazia imagens da apresentação e uma mulher pediu que ele saísse da frente. Em seguida, afirma ter sido atingido com um tapa no rosto.
Redação Imediato Online
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O jornalista Marcelo Rocha, integrante do coletivo Mídia Ninja, denunciou ter sido vítima de agressão física e ofensas racistas enquanto realizava a cobertura do Festival de Parintins, no Amazonas, na madrugada da última segunda-feira (30). Segundo o comunicador, a confusão ocorreu nas proximidades do fosso destinado à imprensa, durante a entrada da cunhã-poranga do boi Garantido, Isabelle Nogueira, e terminou com ele sendo retirado do Bumbódromo por seguranças do evento.

Vídeos gravados pelo próprio jornalista e por testemunhas mostram parte da ocorrência e registram o momento em que Rocha é carregado pelos braços e pelas pernas para fora da arena. De acordo com seu relato, a situação começou quando ele fazia imagens da apresentação e uma mulher pediu que ele saísse da frente. Em seguida, afirma ter sido atingido com um tapa no rosto.

“Tomei um tapa gratuitamente. Nisso eu me viro para pegar o celular para registrar essa pessoa e novamente ela vem tentar me agredir, e começa a me chamar de ‘neguinho vagabundo’. Eu automaticamente começo a gritar: ‘Alguém pode chamar a polícia?'”, declarou o jornalista ao relatar o episódio.

Segundo Rocha, a ocorrência aconteceu entre o espaço reservado aos profissionais de imprensa e a área destinada a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida (PCD). A mulher apontada por ele foi identificada como Maria Rita de Souza. Conforme informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, o nome dela não constava na relação de pessoas credenciadas para acessar o espaço PCD.

O jornalista também afirmou que, ao solicitar ajuda, acabou sendo tratado como responsável pela confusão. Segundo ele, o chefe da equipe de segurança retirou inicialmente a mulher do local e, em seguida, desceu até o fosso, onde o segurou pelo braço e determinou que outros agentes o retirassem à força. Rocha relata que foi arrastado pelo Bumbódromo enquanto tentava pedir a intervenção da polícia.

Maria Rita de Souza negou as acusações de agressão e racismo. Em sua versão, ela afirmou que apenas pediu para que o jornalista abaixasse o celular e que tentou retirar o aparelho de sua mão ao perceber que estava sendo filmada. “Não houve fala racista em nenhum momento”, declarou. Segundo ela, foi o jornalista quem passou a ofendê-la durante a discussão.

O chefe da segurança do Festival de Parintins, Hélio Aguiar, afirmou que desconhecia o fato de Marcelo Rocha ser jornalista, apesar de ele utilizar credencial de imprensa. O segurança informou ainda que, no momento da abordagem, o comunicador teria relatado apenas ter recebido um tapa, sem mencionar as supostas ofensas racistas. Segundo ele, tanto o jornalista quanto a mulher foram encaminhados à delegacia itinerante instalada nas proximidades do local da ocorrência. O responsável pela segurança também afirmou que passou a receber ameaças nas redes sociais, assim como sua filha de 14 anos.

Em nota, o Governo do Amazonas informou que as polícias Civil e Militar prestaram apoio à ocorrência e que Marcelo Rocha recebeu assistência para buscar atendimento jurídico junto à Defensoria Pública de plantão durante o festival.

O Ministério Público do Amazonas (MPAM) solicitou à Justiça a relação dos profissionais de imprensa credenciados e das pessoas autorizadas a permanecer na área reservada ao público PCD. O objetivo é reunir depoimentos e esclarecer as circunstâncias da suposta agressão, das denúncias de racismo e da atuação da equipe de segurança durante a ocorrência.

Também por meio de notas oficiais, os bois-bumbás Garantido e Caprichoso manifestaram solidariedade ao jornalista e repudiaram qualquer prática de racismo ou violência durante o Festival de Parintins, reforçando a importância do respeito aos profissionais de imprensa e aos direitos humanos.

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