A transferência do instrutor de jiu-jitsu Melqui Galvão para o estado de São Paulo provocou forte reação popular no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Investigado por suspeita de crimes sexuais contra adolescentes, o treinador desembarcou sob escolta policial em meio a gritos, xingamentos e manifestações de revolta de pessoas que acompanhavam a movimentação no terminal.
Vídeos gravados no local mostram o momento em que Melqui é conduzido por agentes de segurança até uma viatura policial. Durante a chegada, pessoas que estavam próximas ao desembarque passaram a gritar palavras de indignação, chamando o investigado de “pedófilo” e cobrando justiça pelas vítimas. O clima foi de tensão e revolta, exigindo atenção redobrada das equipes policiais responsáveis pela escolta.
A transferência ocorreu após determinação da Justiça paulista, responsável pelo inquérito conduzido pela Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo. Melqui Galvão estava preso em Manaus desde o cumprimento do mandado de prisão temporária expedido após o avanço das investigações.
O caso começou após uma adolescente de 17 anos denunciar supostos abusos ocorridos durante uma competição internacional de jiu-jitsu. Segundo a investigação, a jovem formalizou a denúncia em São Paulo e apresentou relatos considerados fundamentais para o início das apurações. A vítima afirmou que mantinha relação de confiança com o treinador, que também atuava como seu instrutor esportivo.
Conforme a polícia, após tomar conhecimento da denúncia, Melqui teria viajado para Manaus. As investigações apontam ainda que ele teria tentado convencer familiares da adolescente a não levarem o caso adiante, além de supostamente tentar interferir em conteúdos armazenados no celular da vítima.
Com o avanço das diligências, outras denúncias começaram a surgir em diferentes estados brasileiros. Até o momento, investigadores trabalham com pelo menos sete possíveis vítimas. Um dos relatos indica que os abusos teriam começado quando a vítima ainda tinha 12 anos de idade, fato que agravou ainda mais a repercussão do caso.
A prisão do investigado ocorreu após cooperação entre a Polícia Civil do Amazonas e a Polícia Civil de São Paulo. De acordo com as autoridades, Melqui se apresentou espontaneamente às equipes policiais em Manaus após ser informado sobre a existência do mandado de prisão.
Além da investigação criminal, o caso gerou forte impacto no meio esportivo, principalmente no cenário do jiu-jitsu, onde Melqui Galvão possui histórico de atuação como treinador e responsável por academias em São Paulo. A repercussão também atingiu diretamente a família do investigado. O atleta Micael Galvão, filho de Melqui, publicou uma nota pública afirmando repudiar qualquer tipo de violência e defendendo que os fatos sejam apurados pela Justiça.
As autoridades seguem investigando o caso e não descartam o surgimento de novas denúncias. Em Manaus, inclusive, existem informações preliminares sobre possíveis vítimas que ainda estariam sendo acompanhadas pela polícia.
Enquanto isso, Melqui Galvão permanece custodiado em São Paulo, à disposição da Justiça.