A polícia concluiu que a morte do menino Benício, de 6 anos, ocorreu após um erro médico considerado “grosseiro”, em um hospital particular de Manaus. A informação foi divulgada no último domingo (3), em reportagem do Fantástico.
De acordo com as investigações, a criança morreu após receber uma overdose de adrenalina aplicada diretamente na veia. O correto, segundo os peritos, seria a administração por inalação.

O laudo também apontou que o quadro clínico se tornou irreversível após a aplicação equivocada e descartou falhas no atendimento posterior da equipe da UTI.
Entenda o caso
Benício deu entrada no hospital Santa Júlia com sintomas leves, como tosse seca, sem indicação inicial de gravidade. Ainda assim, a médica responsável prescreveu adrenalina intravenosa, medicamento classificado como de alta vigilância.
A aplicação foi realizada por uma técnica de enfermagem, mesmo após a mãe da criança questionar o procedimento. Pouco tempo depois, o menino apresentou piora no quadro de saúde.
Ele foi encaminhado à sala vermelha e, cerca de 14 horas depois, morreu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Mensagens durante atendimento
Durante a investigação, a polícia analisou o celular da médica responsável pelo atendimento. Conversas apontam que, enquanto acompanhava o caso, ela trocava mensagens sobre venda de cosméticos e recebia pagamentos via Pix.
Para o delegado responsável, isso indica possível indiferença diante da gravidade da situação.
Indiciamentos
A médica foi indiciada por:
homicídio doloso com dolo eventual
fraude processual
falsidade ideológica
Segundo a polícia, ela ainda tentou atribuir o erro a uma suposta falha no sistema do hospital, versão descartada por perícia técnica.
A técnica de enfermagem também foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual. Testemunhas afirmaram que ela foi orientada a realizar o procedimento por inalação, mas optou por seguir a prescrição sem realizar a dupla checagem.
Além disso, dois diretores do hospital foram indiciados por homicídio culposo. O inquérito aponta falhas estruturais, como número insuficiente de profissionais e ausência de farmacêutico no momento do atendimento.
Família cobra justiça
Os pais de Benício afirmaram que esperam que os responsáveis sejam punidos. O caso pode ir a júri popular.