Morte após contato com fezes de aves em Belém levanta alerta

Fisioterapeuta foi atingido por fezes em 2025, desenvolveu infecção grave e morreu meses depois; caso ocorreu na Praça Batista Campos
Redação Imediato Online
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A morte de um fisioterapeuta de 53 anos, após desenvolver uma infecção fúngica grave possivelmente associada à exposição a fezes de aves, acendeu um alerta de saúde pública em Belém. O caso teve início em setembro de 2025, quando ele foi atingido na cabeça por fezes de uma garça ao sair de casa. Quatro meses depois, em janeiro deste ano, ele não resistiu às complicações.

De acordo com relatos da companheira, poucos dias após o episódio, ele começou a apresentar sintomas como tontura, cansaço e fortes dores de cabeça. Mesmo com atendimento médico e início de tratamento, o quadro evoluiu de forma grave.

Segundo o médico responsável, a infecção foi causada por um fungo que se alojou nos pulmões e no cérebro, associado a fezes de aves como garças, pombos e urubus. Durante o tratamento, o paciente passou por 17 procedimentos para retirada de líquor — líquido do sistema nervoso — além do uso de diversos medicamentos, incluindo remédios importados. Apesar dos esforços, ele não resistiu.

Explicação médica

Segundo o infectologista Lourival Marsola, a infecção não ocorre de forma direta pelo contato com as fezes, mas pela inalação de partículas contaminadas.

“Não é porque as fezes caem em cima da gente que a gente vai adquirir esse fungo”, explicou.

“Esse fungo é adquirido, principalmente, pela inalação de partículas presentes no ar, que vêm de fezes de animais ressecadas.”

O especialista destaca que essas partículas podem atingir órgãos vitais:

“Quando a gente inala essas partículas, elas vão para os pulmões, entram na corrente sanguínea e podem chegar ao cérebro.”

“Eles gostam do cérebro e causam uma meningite grave de evolução arrastada, que muitas vezes pode ter desfecho fatal.”

Alerta em área urbana

O caso reforça preocupações antigas de moradores e frequentadores da Praça Batista Campos. Desde 2023, há relatos sobre a grande concentração de garças no local, com acúmulo de fezes e mau cheiro.

Para o especialista, a prevenção passa por reduzir a exposição:

“A melhor forma de prevenção é evitar áreas com muitas aves.”

“Se for inevitável passar por esses locais, o ideal é usar máscara para não inalar essas partículas.”

O caso deve servir de alerta para medidas de controle ambiental e limpeza urbana em áreas com grande presença de aves na capital.

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