Mulher esfaqueada dentro do T3 em Manaus relata relacionamento abusivo e diz que ex-companheiro não aceitava o fim

O suspeito permanece internado sob custódia policial, em razão das agressões sofridas por populares após o crime. Após receber alta, ele deverá responder judicialmente pelo ataque.
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Uma mulher de 28 anos foi vítima de uma tentativa de feminicídio na noite de terça-feira (17), dentro do Terminal de Integração 3 (T3), localizado na avenida Noel Nutels, no bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus. O principal suspeito do crime é o ex-companheiro dela, Leandro Campos Cabral, de 25 anos, que foi preso em flagrante após o ataque.

O caso, que ocorreu em um dos pontos mais movimentados da cidade e em frente ao 6º Distrito Integrado de Polícia, foi presenciado por dezenas de pessoas e gerou forte comoção.

CENA FORTE: Homem é preso após esfaquear ex-companheira dentro do Terminal 3 em Manaus

Em entrevista após receber alta médica, a vítima relatou que manteve um relacionamento de aproximadamente um ano com o suspeito. Segundo ela, o convívio era inicialmente tranquilo, mas, com o passar do tempo, o comportamento do homem tornou-se cada vez mais possessivo.

De acordo com o depoimento, o ciúme excessivo evoluiu para atitudes de controle, incluindo tentativas de impedir que ela trabalhasse e mantivesse contato com outras pessoas.

“Ele queria me proibir de tudo, até de trabalhar. O ciúme dele foi aumentando e chegou a um ponto que não dava mais”, afirmou.

Diante da situação, a mulher decidiu encerrar o relacionamento na manhã de segunda-feira (16). No entanto, o suspeito não aceitou o término.

 

Após o fim do relacionamento, o homem passou a perseguir a vítima. Ainda na segunda-feira, ele foi até o local de trabalho dela, onde teria ameaçado colegas e causado tumulto, sendo retirado por seguranças.

A vítima também relatou que passou a receber ameaças diretas.

“Ele dizia que, se eu terminasse, iria me matar. Falava nas redes sociais que ia me encontrar”, contou.

Por medo, ela evitou retornar para casa e passou a se deslocar com cautela.

Na noite de terça-feira (17), ao chegar ao Terminal 3, a vítima percebeu a presença do ex-companheiro, que já a aguardava no local.

Segundo o relato, o homem a abordou de forma agressiva, segurando-a pelo pescoço e exigindo que ela retomasse o relacionamento.

“Ele disse que eu não estava separada dele e que eu tinha que voltar para casa. Quando eu recusei, ele me deu um soco e puxou a faca”, disse.

Em seguida, o suspeito iniciou o ataque com golpes de faca. A vítima tentou fugir, mas foi atingida diversas vezes.

“No total foram dez facadas. Ele atingiu minha barriga, peito, braço e costas. A última foi perto da jugular”, relatou.

 

O crime ocorreu diante de várias pessoas que estavam no terminal. Testemunhas perceberam a situação e começaram a gritar, o que chamou ainda mais atenção.

Populares reagiram rapidamente, conseguiram conter o agressor e impediram a fuga. Durante a tentativa de escapar, o suspeito foi perseguido e agredido por pessoas que presenciaram a cena.

Ele acabou sendo detido nas proximidades do 6º DIP, após cair ao ser atingido durante a fuga.

A vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada a uma unidade hospitalar. Apesar da gravidade dos ferimentos, ela sobreviveu e recebeu alta médica na quarta-feira (18).

Após o atendimento, a mulher registrou boletim de ocorrência, realizou exame de corpo de delito e passou a receber apoio jurídico. Por questões de segurança, ela está em local sigiloso.

“Não voltei para casa e ninguém sabe onde estou. Tenho medo do que pode acontecer”, afirmou.

Histórico de violência

Conforme informações levantadas pela polícia, o suspeito já possui antecedentes por violência doméstica, com base na Lei Maria da Penha, além de uma medida protetiva relacionada a um relacionamento anterior.

Segundo a vítima, essa medida foi solicitada pela mãe da filha do suspeito, após um episódio de agressão.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil do Amazonas e deve ser tratado como tentativa de feminicídio.

O suspeito permanece internado sob custódia policial, em razão das agressões sofridas por populares após o crime. Após receber alta, ele deverá responder judicialmente pelo ataque.

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