“Minha esposa pode estar viva nas encostas do rio”, diz sobrevivente e cobra buscas mais amplas após naufrágio no Encontro das Águas

Sobrevivente do naufrágio no Encontro das Águas clama por buscas mais amplas em busca da esposa desaparecida.
Redação Imediato Online
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Manaus (AM) – Familiares das vítimas do naufrágio da lancha Lima de Abreu V, ocorrido na sexta-feira (13), nas proximidades do Encontro das Águas, em Manaus, seguem vivendo momentos de angústia e incerteza. Enquanto as equipes oficiais concentram os trabalhos no local onde a embarcação foi localizada, sobreviventes pedem que as buscas sejam ampliadas para áreas de encostas, ilhas e praias ao longo do Rio Solimões.

O sobrevivente Genivaldo, que estava na embarcação no momento do acidente, afirmou em entrevista ao Site Imediato que sua esposa, Patrícia Barroso da Silva, de 33 anos, continua desaparecida e que ainda há esperança de encontrá-la com vida.

“O banzeiro estava muito forte. As pessoas podem ter sido jogadas para as margens, para pequenas ilhas e encostas. É lá que precisam procurar”, disse.

Banzeiro forte e momentos de terror

Segundo Genivaldo, o acidente ocorreu alguns minutos após a embarcação ultrapassar o Encontro das Águas, já em direção ao Rio Solimões, em um momento de correnteza intensa e ondas fora do comum.

Ele relatou que passageiros chegaram a reclamar da velocidade da lancha antes do naufrágio.

“A lancha estava muito rápida. As pessoas falavam: ‘está muito rápido’, mas continuou assim. Depois, o motor foi reduzido de forma brusca e o barco embicou para dentro do rio”, contou.

Pai salvou os filhos, mas esposa desapareceu

Genivaldo viajava com a esposa e três filhos, rumo ao município de Nova Olinda do Norte, onde participariam do aniversário de 75 anos da mãe dele. No desespero, ele conseguiu salvar as crianças, mas perdeu Patrícia de vista no momento em que a lancha afundou.

“Eu pensei: preciso sobreviver para cuidar dos meus filhos. Mas minha esposa desapareceu completamente.”

Resgate dramático de criança em cooler

Durante o naufrágio, Genivaldo também ajudou no salvamento de um bebê, improvisando uma tentativa de proteção com um cooler.

“Joguei o cooler para a mãe colocar o bebê dentro. Uma onda separou os dois. Graças a Deus, o bebê foi encontrado pelo barco São Bartolomeu.”

O barco São Bartolomeu foi apontado como a principal embarcação que prestou socorro e conseguiu resgatar dezenas de pessoas.

Críticas à falta de fiscalização e coletes amarrados

O sobrevivente também denunciou problemas de segurança na embarcação, como coletes salva-vidas que estariam amarrados e difíceis de acessar no momento da tragédia.

“O colete tem que estar disponível, fácil. O que eu peguei estava totalmente amarrado.”

Ele ainda cobrou fiscalização constante nas embarcações que operam nos rios do Amazonas.

“O rio é a nossa estrada. E essa estrada está sendo negligenciada.”

Familiares fazem buscas por conta própria

Sem respostas concretas, familiares e moradores de municípios do interior têm se mobilizado por conta própria, organizando campanhas e saídas em barcos particulares para procurar desaparecidos nas margens e áreas próximas.

“A gente não está procurando corpo. A gente está procurando gente viva”, reforçou Genivaldo.

Apelo por buscas nas encostas

O principal pedido das famílias é que as autoridades ampliem a operação para áreas onde sobreviventes possam ter sido levados pela correnteza.

“Se existe 1% de chance, a gente vai atrás. É preciso buscar nas praias, ilhas e árvores. As pessoas podem estar fracas, sem conseguir gritar.”

A foto de Patrícia Barroso segue sendo divulgada nas redes sociais, enquanto familiares mantêm a esperança de um reencontro.

As buscas continuam sendo realizadas pelo Corpo de Bombeiros e demais forças de segurança.

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