MANAUS-AM | A Justiça do Amazonas condenou dois réus da chamada Operação Carimbadores por crimes de exploração sexual de crianças e adolescentes em Manaus. As sentenças foram proferidas nesta terça-feira (3) e, somadas, ultrapassam 20 anos de prisão em regime fechado. A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso.
Os condenados, de 21 e 31 anos, foram investigados por integrar um esquema de compartilhamento de material pornográfico infantil e troca de mensagens nas quais relatavam abusos sexuais contra menores. Conforme apurado pela polícia, os dois se autodenominavam “carimbadores” e afirmavam manter relações sexuais sem proteção com o objetivo de transmitir o vírus HIV às vítimas.
A sentença foi assinada pelo juiz Rosberg de Souza Crozara, que fixou a pena de 12 anos, três meses e dez dias de reclusão para um dos réus. O outro foi condenado a nove anos, cinco meses e dez dias de prisão.
Durante a instrução do processo, a Justiça analisou provas obtidas a partir de aparelhos celulares apreendidos com os investigados. Laudos do Instituto de Criminalística confirmaram a presença de imagens e vídeos de pornografia envolvendo crianças e adolescentes nos dispositivos.
Com base nas provas, os réus foram condenados pelos crimes de posse e divulgação de material pornográfico infantil, previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), além de associação criminosa, conforme o artigo 288 do Código Penal.
Investigação e prisões
As investigações tiveram início após uma denúncia anônima feita em 2022, que indicava a existência de conversas comprometedoras encontradas em um celular levado a uma assistência técnica. À época, a apuração não avançou por falta da apreensão do aparelho, restando apenas registros de mensagens.
O caso voltou a ser investigado em dezembro de 2023, após a Polícia Federal receber nova denúncia sobre os mesmos fatos. A partir disso, a Polícia Civil do Amazonas conseguiu identificar os suspeitos e reunir provas que confirmaram a autoria das mensagens e do material ilícito compartilhado.
Os dois homens foram presos inicialmente entre maio e junho de 2024. Após a expiração do prazo da prisão temporária, chegaram a ser soltos, mas um novo pedido de prisão preventiva foi apresentado e deferido pela Justiça, resultando na recaptura dos investigados.
Segundo a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), as conversas analisadas demonstraram organização e continuidade das práticas criminosas, o que reforçou a responsabilização penal dos envolvidos.