Um caso de violência doméstica registrado entre a noite de 23 e a madrugada de 24 de dezembro chocou moradores de Manaus e está sendo investigado pela Polícia Civil do Amazonas. A vítima, Vânia Lúcia Boerger, de 61 anos, denunciou ter sido agredida pelo marido, Gustavo Frederico Boerger, superintendente regional substituto do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Amazonas, com a suposta participação da cunhada, Katia Boerger.
Segundo o relato da vítima, a agressão ocorreu dentro do apartamento do casal após uma discussão familiar. Vânia afirmou que foi atacada com violência, sofrendo empurrões e golpes que a derrubaram no chão. Em decorrência do episódio, ela teve o dedão da mão fraturado e apresentou outros ferimentos pelo corpo.

A mulher também relatou que, durante a agressão, teve objetos pessoais arrancados, como aliança e brinco, além de ter o cabelo puxado, o que evidenciaria a intensidade do ataque. Abalada emocionalmente, Vânia afirmou ter temido pela própria vida.
“Eu não conseguia me defender. Fiquei com medo de ser morta. A dor física passa, mas a dor emocional permanece. Vivo com medo e não consigo dormir”, declarou.

O caso foi registrado na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), durante o Plantão dos Vulneráveis. Gustavo Frederico Boerger foi preso em flagrante, mas acabou liberado após audiência de custódia, mediante a aplicação de medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.
Entre as medidas determinadas pela Justiça estão o afastamento do investigado do convívio da vítima, a proibição de aproximação de Vânia e de seus familiares, além da restrição de qualquer tipo de contato, inclusive a proibição de frequentar a residência e o local de trabalho da vítima.

Em depoimento à polícia, Gustavo Frederico Boerger negou ter agredido a esposa. Ele afirmou que houve apenas uma discussão motivada por ciúmes e que teria agido em legítima defesa após, segundo ele, ser arranhado e empurrado por Vânia. O servidor público declarou ainda que não teve a intenção de causar ferimentos.
A vítima, no entanto, afirmou que não se tratou de um caso isolado. Segundo Vânia, em julho deste ano ela já havia sido alvo de agressões físicas, mas não chegou a registrar boletim de ocorrência na ocasião.

Ao tornar o caso público, Vânia fez um apelo para que outras mulheres denunciem situações de violência doméstica. “Não tenham vergonha de denunciar. Eu sou mais uma vítima, mas não fatal. Se Deus não tivesse me ajudado, eu não estaria aqui para contar”, disse.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, com acompanhamento do Judiciário. A Justiça informou que irá monitorar o cumprimento das medidas protetivas para assegurar a integridade física e emocional da vítima.

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