MANAUS-AM | A comunidade Parque Mauá, localizada na zona Leste de Manaus, enfrenta há anos uma rotina marcada por alagamentos, ruas deterioradas e acúmulo de lixo. A situação, segundo os moradores, se agravou nos últimos meses e se repete sempre que chove, transformando vias públicas em verdadeiros rios de lama, barro e resíduos sólidos.
No centro do problema está um igarapé que corta a área e que, de acordo com os relatos, encontra-se completamente assoreado. O curso d’água foi reduzido ao longo do tempo e hoje não comporta o volume das chuvas, provocando transbordamentos frequentes. Quando isso acontece, a água invade ruas e residências, impede a circulação de pedestres e veículos e expõe a população a riscos sanitários.

Além dos alagamentos, uma cratera vem se formando na via principal da comunidade. O buraco aumenta progressivamente, comprometendo a estrutura da rua e gerando medo entre os moradores. Eles temem que, com o avanço da erosão, o local se torne intransitável ou ocorra um desabamento mais grave. “A rua está se acabando aos poucos. Se continuar assim, ninguém vai conseguir passar”, relatou um dos moradores.
Outro problema recorrente é a falta de coleta regular de lixo. Segundo a população, caminhões coletores deixam de atender a área por vários dias consecutivos, o que resulta no acúmulo de resíduos em lixeiras improvisadas. Com as chuvas, parte desse lixo é arrastada para dentro do igarapé, agravando ainda mais o assoreamento e a poluição ambiental.
Diante da ausência do poder público, a própria comunidade se mobilizou para tentar minimizar os impactos, arrecadando dinheiro para instalar uma cesta coletora de lixo. No entanto, moradores afirmam que essa iniciativa chegou a ser apontada, de forma equivocada, como responsável pelos alagamentos. “Dizer que a culpa é da lixeira é um absurdo. O problema é o barro e o igarapé entupido”, afirmou o presidente da comunidade, Carlos.

De acordo com ele, a situação já foi levada diversas vezes à Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e à Secretaria Municipal de Limpeza Urbana, sem que uma solução definitiva fosse apresentada. “Já vieram aqui, prometeram, mas depois jogam a responsabilidade de uma secretaria para outra. Enquanto isso, o povo continua sofrendo”, disse.
Moradores mais antigos relatam que o problema não é recente. Pessoas que vivem no bairro há mais de 30 anos afirmam que os alagamentos sempre existiram, mas se intensificaram nos últimos anos, principalmente após obras realizadas em áreas mais altas da região. Segundo eles, o barro e a areia dessas construções descem com a chuva e acabam sendo despejados no igarapé, contribuindo para o entupimento do canal.
Há ainda denúncias de que uma empresa localizada nas proximidades seria responsável por lançar sedimentos na rede de drenagem, o que pioraria a situação durante o período chuvoso. Os moradores afirmam que já procuraram representantes da empresa, mas não obtiveram respostas efetivas.

Durante as chuvas mais intensas, a população precisa se unir para reduzir os danos. Vizinhos ajudam uns aos outros a retirar água das casas, proteger móveis e garantir a segurança de crianças e idosos. Mesmo assim, o medo de doenças de pele e outras complicações de saúde faz parte da rotina. “Aqui passa muita gente dentro da água suja. Isso não é só transtorno, é falta de dignidade”, desabafou um morador.
A comunidade cobra ações urgentes do poder público, como o desassoreamento do igarapé, limpeza da área, capinação, recuperação da via e regularização da coleta de lixo. Eles também pedem um projeto de urbanização que atenda às necessidades básicas do bairro.
Segundo os moradores, mais de dez reportagens já foram realizadas no local ao longo dos anos, mas nenhuma medida concreta foi tomada até agora. “Aqui tem famílias, trabalhadores, crianças e idosos. A gente só quer respeito e condições dignas para viver”, afirmou um dos comunitários.
A população do Parque Mauá segue aguardando uma resposta das autoridades competentes e espera que a situação deixe de ser apenas promessa e passe a ser tratada como prioridade.
Fotos: Tarcísio Heden / Imediato