MANAUS-AM | Moradores do bairro Colônia Antônio Aleixo, na zona Leste de Manaus, vivem há anos uma rotina marcada por barulho excessivo, gritaria constante, ameaças e conflitos, situação que, segundo eles, já ultrapassou todos os limites do convívio comunitário. A denúncia envolve uma moradora identificada como Helena, que se apresenta como pastora e reside em um beco da rua Professor Azevedo.
De acordo com os relatos, a perturbação do sossego acontece diariamente, sem respeito a horários, afetando diretamente crianças, idosos e trabalhadores que dependem do descanso durante o dia. Os moradores afirmam que o problema se arrasta há mais de oito anos, desde que a denunciada passou a morar no local.
Segundo os vizinhos, a situação vai muito além de som alto. Eles relatam gritos intensos, palmas repetidas, palavras ofensivas, xingamentos e ameaças, criando um ambiente de medo e desgaste emocional.
“É de domingo a domingo, ninguém tem sossego. Eu moro aqui há quase 40 anos e nunca vi algo assim. Já pensei em me mudar, mas resolvi denunciar porque não é justo”, contou uma moradora.
Outra residente, que possui casas alugadas no beco, afirma que recebe reclamações frequentes dos inquilinos, principalmente relacionadas às crianças.
“As crianças não conseguem dormir. O problema não é música, são os gritos, as palmas, a gritaria. Isso incomoda demais”, relatou.

A denúncia ganha ainda mais gravidade por envolver moradores que trabalham em turnos noturnos, como profissionais da área da saúde. Um enfermeiro que reside próximo à casa denunciada afirma que, mesmo após longos plantões, não consegue descansar.
“A gente chega exausto do hospital e não consegue dormir. É um barulho ensurdecedor, com gritos, palavrões e provocações. Isso afeta a saúde mental de todo mundo”, afirmou.
Além da poluição sonora, os moradores denunciam ameaças de agressão, intimidações diretas e comportamentos considerados provocativos. Há também relatos de atitudes que extrapolam o barulho, como jogar água em crianças que brincavam no beco e a instalação de câmeras de vigilância voltadas para a área comum, o que gerou revolta entre os vizinhos.
Segundo os relatos, o imóvel da denunciada tem acesso direto para a rua principal, e não para o beco, o que levanta questionamentos sobre a legalidade da vigilância no local.

Os moradores informaram que boletins de ocorrência já foram registrados e que alguns vizinhos chegaram a formalizar denúncias por ameaça. Eles afirmam que a situação se tornou insustentável e pedem uma atuação mais firme das autoridades.
A perturbação do sossego é uma contravenção penal, prevista no artigo 42 da Lei das Contravenções Penais, e ocorre quando ruídos excessivos, como gritaria, algazarra ou som alto, prejudicam a tranquilidade alheia. A infração pode acontecer a qualquer hora do dia ou da noite.
A punição pode incluir prisão simples ou multa, além do registro de Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), geralmente feito pela Polícia Militar, que pode ser acionada pelo telefone 190.
A reportagem reforça que o espaço permanece aberto para manifestação da denunciada, garantindo o direito de resposta e o contraditório, conforme prevê a legislação e os princípios do jornalismo.