Caso Benício: Delegado detalha acareação de médica e técnica de enfermagem sobre o erro que resultou na morte de Benício

Novas acareações no caso da morte de Benício Xavier esclarecem responsabilidades de médica e técnica de enfermagem, além de possíveis falhas do hospital.
Redação Imediato Online
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A Polícia Civil do Amazonas realizou nesta quinta-feira (4), novas acareações no caso da morte de Benício Xavier, de seis anos, envolvendo a médica Juliana Brasil e a técnica de enfermagem Raíssa Bentes. O delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, explicou que o objetivo das acareações foi esclarecer a participação de cada profissional e os fatores que culminaram na morte da criança.

Segundo o delegado, a investigação segue quatro linhas principais. A primeira apura a responsabilidade da médica Juliana Brasil em relação a um erro de prescrição de adrenalina. A segunda avalia o procedimento da técnica de enfermagem Raíssa, que não teria seguido corretamente a dupla checagem na administração da medicação. A terceira linha de investigação analisa a responsabilidade do hospital em relação à estrutura, protocolos de segurança e quantidade de profissionais disponíveis. A quarta linha investiga eventuais erros durante o procedimento de intubação na UTI, que podem ter contribuído para o desfecho fatal.

Martins destacou que o inquérito ainda aguarda o parecer final do Instituto Médico Legal (IML) sobre as causas da morte, incluindo se a administração incorreta da adrenalina ou falhas na UTI tiveram impacto direto. Ele também mencionou que será realizada perícia no sistema informatizado do hospital para verificar se houve falhas que possam ter influenciado os acontecimentos.

O delegado ainda comentou sobre relatos de tentativa de adulteração de provas. Três testemunhas indicaram que a médica teria tentado acessar a prescrição original para modificar dados, suprimindo o erro na administração da adrenalina. Segundo ele, essas circunstâncias podem agravar a situação da profissional.

A investigação considera a possibilidade de homicídio com dolo eventual, pois os erros identificados podem indicar indiferença quanto à vida da vítima. Além de Juliana e Raíssa, outros membros da equipe médica e da administração do hospital estão sendo ouvidos para apurar falhas na supervisão, incluindo a ausência de farmacêutico na dispensação da medicação.

O delegado explicou ainda que houve três tentativas de intubação por uma primeira médica, sem sucesso, antes da chegada da chefe da UTI pediátrica, que realizou o procedimento com a criança já sedada com medicamentos de efeito forte. A perícia agora deverá avaliar se essas ações ou eventuais atrasos contribuíram para a morte.

Segundo Martins, a investigação continua com a coleta de depoimentos de outros profissionais e análise de documentos médicos. O objetivo principal da Polícia Civil do Amazonas é esclarecer a verdade sobre as causas da morte de Benício Xavier e identificar os responsáveis.

Foto: Reprodução

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