Os pais de Benício, criança de 6 anos que morreu após receber adrenalina por via intravenosa durante atendimento em uma unidade de saúde de Manaus, prestaram novos relatos sobre os últimos momentos ao lado do filho. Emocionados, eles descreveram lembranças da rotina da criança no dia em que foi levada ao hospital.
O pai afirmou que ainda enfrenta dificuldade ao relembrar as particularidades do menino e contou que os dois haviam passado momentos juntos horas antes do atendimento. Segundo ele, Benício estava ativo e interagindo normalmente com a família.

“A gente lembra de cada detalhe. São memórias que não saem da cabeça”, disse o pai, que chorou ao relatar os últimos instantes com o filho.
A mãe também relembrou que, antes de ser levado ao hospital, o menino havia feito uma pequena atividade escolar em casa. Ela disse que a tarefinha foi um dos últimos registros da rotina da criança.
“Ele fez a tarefinha direitinho, mostrou pra mim com orgulho. Nunca imaginei que seria a última vez que veria ele assim”, afirmou.
Benício foi levado à unidade após uma crise de tosse. Durante o atendimento, segundo depoimentos já prestados à polícia, a técnica de enfermagem responsável admitiu ter aplicado adrenalina por via intravenosa, afirmando que realizou o procedimento “porque a médica mandou”. O caso é investigado pela Polícia Civil, que apura possível erro no protocolo de atendimento.
A médica e a técnica de enfermagem foram ouvidas na Delegacia Especializada na manhã desta sexta-feira (28). As autoridades continuam analisando documentos, prontuários e depoimentos de profissionais para esclarecer as circunstâncias da morte da criança.
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