Um barranco desabou na manhã desta quinta-feira (6), na Rua Itaúba Amarela, no Conjunto Viver Melhor 2, zona norte de Manaus, e deixou dezenas de famílias em pânico. O deslizamento atingiu a área lateral de um dos blocos residenciais, comprometendo parte da calçada e colocando em risco a estrutura do prédio, onde vivem cerca de 14 famílias.
O problema, segundo os moradores, se arrasta há pelo menos seis meses e piorou nas últimas semanas com o aumento das chuvas. A Defesa Civil de Manaus ainda não compareceu ao local, apesar das dezenas de tentativas de contato feitas pelos residentes.
“Esse problema já tem uns seis meses, e agora foi o pior. A gente quer uma providência das autoridades para ajudar a gente”, relatou Nilton Castro, um dos moradores que acompanhou o momento em que o barranco começou a ceder, por volta das 10h30. “Liguei 64 vezes para a Defesa Civil e ninguém atendeu”
A moradora Dijane, que vive no mesmo bloco, contou que a situação se agravou devido a problemas de drenagem e esgoto entupido na parte traseira do conjunto. Segundo ela, a água das chuvas e dos esgotos acaba infiltrando por baixo dos prédios, enfraquecendo a base das construções.
“Já caíram partes do barranco há anos e vieram consertar, mas agora voltou pior. Aqui é tudo entupido, vaza água o tempo todo. Liguei 64 vezes para o número 199 da Defesa Civil, mas não consegui contato. Liguei também para o Corpo de Bombeiros, e até entrei no Instagram da Defesa Civil pedindo ajuda. Ninguém apareceu. Quando acontecer uma tragédia, aí sim vai lotar de gente aqui”, desabafou.
Os moradores afirmam que as rachaduras já atingem o segundo e o terceiro andares de alguns blocos, e que há vazamentos entre os apartamentos. No local, é possível ver a calçada afundando e o solo cedendo. As cerâmicas internas dos corredores também estão soltas, e as infiltrações se espalham pelos apartamentos. “É um projeto mal feito”, dizem moradores
Além da preocupação com o deslizamento, os moradores apontam falhas estruturais e de manutenção. Eles alegam que o sistema de drenagem e escoamento da água da chuva é precário, e que o barranco cedeu devido à falta de planejamento e de manutenção da área.
“É um projeto mal feito. A água não tem para onde correr, entra por baixo dos prédios e vai minando o barranco. A cada chuva a situação piora”, afirmou uma moradora, mostrando áreas com rachaduras visíveis e pontos de infiltração.
Risco iminente
No bloco atingido, vivem mais de 14 famílias, e segundo os moradores, outras 16 residem no prédio vizinho, que também pode ser afetado se o solo continuar cedendo. Muitos relatam medo de permanecer nos apartamentos, especialmente à noite e durante as chuvas.
“Qualquer barulhinho a gente já se assusta. Tem criança, idoso, todo mundo com medo. Se o barranco descer mais, pode levar o prédio junto”, disse outra moradora.
Apesar das inúmeras ligações para a Defesa Civil e Corpo de Bombeiros, nenhum órgão público compareceu ao local até o início da tarde.
Enquanto aguardam uma resposta do poder público, os moradores tentam conter pequenos deslizamentos por conta própria e fazem limpezas improvisadas para evitar novos alagamentos. “Estamos pedindo ajuda antes que aconteça uma tragédia. Depois que cair, não adianta mais”, concluiu Dijane.