Veja o vídeo: “Não foi suicídio, como disseram; ele tinha apoio de vários militares da corporação”, afirma mãe no dia de julgamento

Caso de soldado assassinada em 2015 tem julgamento após 10 anos de espera pela família.
Redação Imediato Online
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Manaus – Após uma espera de 10 anos, teve início nesta segunda-feira (29) o julgamento dos cinco policiais militares acusados de envolvimento no homicídio da soldado Deusiane da Silva Pinheiro, de 26 anos, assassinada em 1º de abril de 2015 dentro da base flutuante do Batalhão Ambiental, localizada no Tarumã, zona oeste de Manaus. A sessão acontece no Fórum Ministro Henoch Reis, no bairro São Francisco, zona sul da capital.

A mãe de Deusiane, emocionada, falou sobre a longa espera pela justiça e o sofrimento da família. “São 10 anos de perseguição, 10 anos que fiquei prisioneira dentro da minha casa. Espero em Deus que hoje a justiça seja feita e que ele saia condenado. Peço a todos que me ajudem em oração para que isso aconteça. Quem perdeu minha filha fui eu; mesmo que eles sejam condenados, a família deles vai poder abraçá-los, mas eu nunca mais vou abraçar a minha filha”, disse.

A vítima estava no piso superior da embarcação junto com o cabo Elson dos Santos Brito, apontado pelo Ministério Público como autor do disparo que matou Deusiane. No piso inferior estavam os cabos Jairo Oliveira Gomes, Cosme Moura Souza, Narcízio Guimarães Neto e o soldado Júlio Henrique da Silva Gama, denunciados por falso testemunho por confirmarem a versão de suicídio apresentada por Elson.

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Segundo a mãe de Deusiane, a relação da filha com o acusado era marcada por ciúmes e ameaças. “Ela me contou que ele ameaçou matá-la e que tinha apoio de outros militares. Ele tinha conhecimento suficiente para matar e tentar fazer parecer suicídio. Isso é uma indignação, porque falam tanto de direitos das mulheres, mas na prática a justiça demora a chegar”, afirmou.

A deputada Alessandra Campello, que acompanha o caso desde 2015, ressaltou a gravidade da situação. “Mais de 10 anos se passaram e cinco policiais, entre eles o autor do disparo, continuam armados e recebendo dinheiro público. É um escárnio contra a sociedade e contra as mulheres. Deusiane representava tantas jovens trabalhadoras e estudantes que tiveram suas vidas interrompidas por violência e impunidade”, declarou.

O julgamento, acompanhado por familiares, amigos e integrantes de movimentos de proteção às mulheres, é considerado um marco no combate à violência contra as mulheres no Amazonas. A equipe do Site Imediato está no local e continuará atualizando o público em tempo real sobre o andamento da sessão.

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