Manaus (AM) – A deputada estadual Alessandra Campelo (Podemos) anunciou, nesta terça-feira (16), durante pronunciamento na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), que vai solicitar a prisão do jornalista Alex Braga Mendes por supostamente apresentar um atestado médico falso em processo judicial, configurando obstrução de justiça. A medida faz parte de uma ofensiva mais ampla contra o jornalista, que enfrenta graves acusações de estupro e coação para aborto, e que recentemente teria ofendido servidoras da Aleam em redes sociais.
Alex Braga Mendes é acusado de abusar sexualmente da prima de sua ex-esposa em março de 2023, enquanto a vítima ajudava no pós-parto da esposa do jornalista. Segundo relatos da vítima, o crime ocorreu na residência do casal em Manaus, com Braga sob efeito de substâncias e armado. Após o estupro, a vítima descobriu a gravidez e foi pressionada pelo agressor a realizar um aborto com pílulas como Cytotec, sob ameaça de violência. A denúncia foi formalizada em outubro de 2024, após perseguição contínua (stalking) à vítima, levando a um pedido de prisão preventiva pela Polícia Civil do Amazonas, por meio da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher. Braga foi preso em flagrante em 2024, mas fugiu antes de uma ordem de busca e apreensão em outubro do mesmo ano, tornando-se foragido. A Procuradoria da Mulher da Aleam atua como assistente de acusação ao lado do Ministério Público.
No caso do atestado falso, Campelo destacou que Braga apresentou um documento de COVID-19 para justificar ausência em audiências do processo de estupro. O atestado, supostamente assinado por um médico, foi desmentido pela autoridade: o profissional afirmou à Polícia Civil nunca ter estado em Manaus, não conhecer o jornalista e só emitir laudos com exames anexados. “Esse homem seria um estelionatário, além de responder por crimes graves. Apresentar um atestado falso para paralisar o andamento do processo é obstrução de justiça. A Procuradoria da Mulher vai pedir hoje a prisão desse indivíduo”, afirmou a deputada.
Além da questão judicial, Alessandra reagiu a uma publicação de Braga nas redes sociais, na qual ele teria chamado servidoras da Aleam de “safadas”. “Quero informar que estou entrando com uma ação agora para que essa publicação seja imediatamente retirada do ar. Mesmo que ele retire, vamos processá-lo civil e criminalmente. Chega desse bandido, estuprador, ficar xingando mulheres nas redes sociais. Ele vai responder”, declarou Campelo, defendendo as funcionárias da Casa. A deputada alertou apoiadores de Braga: “Para quem apoia esse canalha e covarde: que ele não apareça aqui na Assembleia; ele só aparece escondido para gravar vídeos. Muitas mulheres querem se unir para buscar justiça pelas ofensas”.
O anúncio gerou repercussão na Aleam, com apoio de outras parlamentares à defesa das servidoras e repúdio às ofensas. Alex Braga, que também foi condenado em novembro de 2024 por disseminar fake news contra o governador Wilson Lima (União Brasil), com ordem para remover publicações falsas sob pena de multa diária de R$ 5 mil, não se manifestou publicamente sobre as declarações de Campelo até o momento. A Procuradoria da Mulher da Aleam confirmou o pedido de prisão, que será analisado pela Justiça.