Manaus (AM) – A madrugada desta sexta-feira (29) foi marcada por tensão no bairro Tarumã Açu, zona Oeste de Manaus. Cansados dos constantes apagões de energia elétrica, moradores interditaram a Avenida da Floresta em um protesto que começou por volta das 21h de quinta-feira (28) e seguiu madrugada adentro.
Segundo os relatos, a energia elétrica caiu por volta das 14h e não havia retornado até a hora da manifestação. A falta de luz deixou crianças, idosos, bebês e trabalhadores em uma situação considerada insustentável pela comunidade, que denuncia prejuízos com eletrodomésticos queimados, alimentos estragados e noites inteiras sem condições mínimas de conforto.
Munidos de contas de energia, os moradores expuseram os valores pagos mensalmente e classificaram o serviço como abusivo. Uma fatura apresentada durante o ato chegava a R$ 1.475,37, praticamente o valor de um salário mínimo. Outra moradora mostrou a cobrança de R$ 435,88, mesmo passando o dia fora de casa, com apenas geladeira e freezer ligados.
“Trabalhamos duro o mês inteiro para pagar uma conta absurda. Perdemos alimentos, perdemos eletrodomésticos. Minha geladeira queimou duas vezes e está parada. Só não fiquei no prejuízo maior porque tenho um freezer, mas até ele corre risco”, relatou uma das manifestantes.
Outro morador criticou a falta de compromisso da concessionária: “Vieram técnicos, subiram no poste, fingiram que iam resolver, desligaram e foram embora. Deixaram a gente no escuro. Isso é humilhação. Estamos pagando caro por um serviço que não existe.”

A comunidade também destacou que o problema vai além dos danos materiais. Sem energia, muitas casas ficam sem água, já que o abastecimento depende de bombas elétricas. Além disso, as constantes quedas prejudicam a saúde de pessoas acamadas, idosos e crianças, que sofrem com o calor intenso da capital amazonense.
Pais de alunos também reclamaram do impacto na educação: “Nossos filhos já perderam dias de aula porque a escola ficou sem energia. Isso prejudica o aprendizado e ninguém assume a responsabilidade”, disse um morador.
Os manifestantes aproveitaram para criticar a ausência de representantes do poder público. O prefeito David Almeida foi cobrado diretamente: “Ele só aparece aqui em época de eleição, quando quer voto. Lá na casa dele não falta energia, não falta água. E a gente aqui, pagando imposto, é que fica no escuro”, desabafou uma moradora.
A revolta também foi direcionada à infraestrutura do bairro, marcada por ruas esburacadas, insegurança e abandono. “Não queremos festa, queremos o básico: água, energia e segurança. Manaus está largada”, afirmou outro participante da manifestação.
Protesto pacífico com policiamento
Durante a interdição da Avenida da Floresta, moradores exibiram faixas e contas de luz, pedindo providências imediatas da Amazonas Energia. A Polícia Militar esteve no local para acompanhar o ato e garantir a segurança. O Corpo de Bombeiros também foi acionado, mas não houve registro de tumulto.

De acordo com os moradores, o problema é recorrente. Na semana anterior, houve interrupção de energia que durou o dia inteiro, além de quedas quase diárias que comprometem a vida da população. “Cidade das Luzes virou cidade da escuridão. Estamos cansados. Queremos um serviço que preste, não é pedir muito”, protestou um morador.
Até a publicação desta matéria, a Amazonas Energia não havia se pronunciado sobre as causas da nova interrupção nem sobre os prejuízos alegados pelos moradores.
Fotos: Tarcísio Heden / Imediato