Manaus – A morte de Rafaely Stheicy, de apenas 5 anos, no bairro Tancredo Neves, zona Leste de Manaus, expôs falhas no sistema de proteção à criança na capital amazonense. A menina chegou ao Hospital Joãozinho já em estado crítico e não resistiu às lesões provocadas por espancamentos.

O Instituto Médico Legal (IML) apontou como causa da morte choque hipovolêmico, lesões hepáticas e renais, trauma abdominal fechado e asfixia mecânica, evidenciando violência extrema.
A mãe e a madrasta de Rafaele foram presas em flagrante e tiveram a prisão mantida após audiência de custódia. Elas responderão pelos crimes de homicídio, tortura, omissão de socorro e violência contra a criança, segundo a advogada do caso, Adriane Magalhães. Durante a audiência, ambas permaneceram em silêncio.
Vizinhos relataram que a criança sofria violência doméstica recorrente. Segundo relatos, a madrasta chegou a ameaçar Rafaele de morte. Denúncias anteriores chegaram a ser registradas junto à polícia, mas não resultaram em medidas efetivas.

O cunhado do pai da menina, Bruno, afirmou que já havia denunciado a madrasta por maus-tratos em dezembro de 2024 e solicitado a perda da guarda da criança. “Infelizmente, o Estado foi omisso nesse sentido. Se tivessem atendido à denúncia, essa criança hoje estaria viva”, disse Bruno.
O pai de Rafaele, Oziel, disse desconhecer os abusos e pediu justiça em entrevista. Familiares e amigos da menina se reuniram em frente ao IML para protestar, cobrando punição exemplar para as responsáveis.
O caso acende um alerta sobre a necessidade de aprimorar a proteção infantil e reforça a urgência de medidas que evitem que tragédias como esta se repitam na sociedade amazonense.
Foto: Tarcísio Heden