Manaus (AM) – Uma jovem de 26 anos, residente em Manaus, procurou a equipe de reportagem do site Imediato para denunciar uma série de agressões sofridas por seu ex-companheiro, mesmo após registrar sete boletins de ocorrência e obter medidas protetivas. A vítima, que não teve o nome divulgado por questões de segurança, relatou que as medidas judiciais não têm sido suficientes para deter o agressor, que continua a persegui-la e ameaçá-la.
Na última sexta-feira, 15 de agosto, por volta das 13h, o ex-companheiro invadiu a residência da vítima e a agrediu fisicamente. A filha do casal, uma criança de 7 anos, estava na casa durante o incidente, mas foi protegida pela mãe e não presenciou a agressão. “Eu sabia que ele estava chegando, desci e pedi à vizinha que cuidava dela para não abrir a porta, para ela não ouvir nada”, relatou a jovem, visivelmente abalada.
A vítima contou que o agressor chegou ao local de forma violenta, proferindo insultos e ameaças. “Ele já chegou agressivo, dizendo que estava sem paciência, me chamando de doida. Esperou eu ficar sozinha e veio para cima de mim”, afirmou. Um vídeo, gravado por uma amiga da vítima, registra parte do momento da agressão. A jovem precisou de atendimento médico no Hospital João Lúcio, onde realizou exame de corpo de delito, devido a fortes dores na cabeça causadas pelos golpes.
Histórico de violência e descumprimento de medidas protetivas
A denunciante revelou que as agressões não são um caso isolado. Segundo ela, o ex-companheiro já a agrediu anteriormente, inclusive na presença da filha do casal. “Ele já me deu soco e cotovelada na cara com minha filha no colo, e nada aconteceu”, desabafou. Além disso, a vítima relatou que a mãe do agressor também a intimida, chegando a gravá-la no local de trabalho e em frente à sua casa, além de proferir ofensas racistas. “Ela não gosta de mim porque eu sou preta e ele é branco. Já falaram que o nariz da minha filha é feio”, contou.Apesar das medidas protetivas em vigor, o agressor descumpre as ordens judiciais repetidamente. A jovem destacou que não mantém contato com o ex-companheiro há anos e que ele não deveria saber seu endereço ou local de trabalho. “Eu não falo com ele, não tenho nenhum contato. Ele não deveria nem saber onde eu moro ou trabalho”, afirmou.
Impactos psicológicos e luta pela proteção da filha
A vítima relatou que faz acompanhamento psicológico e psiquiátrico há mais de um ano, devido ao estresse pós-traumático causado pelas agressões e perseguições. “Eu fiz muita terapia porque achei que estava ficando doida, que estava mentindo, que tinha algo errado comigo”, disse. Ela também enfatizou sua preocupação em proteger a filha, que estava doente no dia do ocorrido e não queria ir com o pai. “Eu não ia entregar minha filha naquele estado. Ela estava gripada, não ia tomar remédio lá, ia voltar pior”, explicou.
A jovem ainda denunciou que a mãe do agressor e uma advogada a ameaçam constantemente, o que intensifica seu sofrimento psicológico. “A advogada mandou áudio dizendo que eu ia pagar pra ver, que eu ia me dar mal. Isso cansa”, desabafou.
Apelo por justiça
Cansada de viver sob constante ameaça, a vítima fez um apelo às autoridades: “Nada aconteceu com ele esse tempo todo, apesar de tudo o que ele fez. Ele sempre teve a mãe e a advogada para protegê-lo, e ninguém acreditava em mim”. Ela espera que a justiça tome providências para punir o agressor e garantir sua segurança e a da filha.