Milton Hatoum faz história como o primeiro amazonense a entrar para a Academia Brasileira de Letras

Escritor amazonense torna-se o primeiro autor da região a ingressar na Academia Brasileira de Letras, consolidando a representatividade da literatura regional no cenário nacional.
Redação Imediato Online
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O escritor amazonense Milton Hatoum foi eleito nesta quinta-feira (14) para ocupar a cadeira número 6 da Academia Brasileira de Letras (ABL), sucessora do jornalista Cícero Sandroni, falecido em julho de 2025. A votação, que contou com 34 acadêmicos, resultou em 33 votos a favor de Hatoum, confirmando sua ampla aceitação entre os membros da instituição.

Com a eleição, Hatoum se torna o primeiro autor nascido no Amazonas a integrar a ABL, consolidando a representatividade da literatura da região no cenário nacional. O escritor nasceu em Manaus, filho de um libanês e uma brasileira, e se formou em arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP). Além de escritor, atuou como professor de literatura na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e foi professor visitante na Universidade da Califórnia e na Sorbonne, em Paris.

Ao longo de sua carreira, Hatoum publicou oito livros e conquistou prêmios nacionais, incluindo três Jabutis por Relato de um Certo Oriente (1989), Dois Irmãos (2000) e Cinzas do Norte (2005). Suas obras somam mais de 500 mil exemplares vendidos e estão traduzidas para 16 idiomas. Entre seus títulos de destaque estão:

  • Relato de um Certo Oriente (1989), vencedor do Prêmio Jabuti de melhor romance.
  • Dois Irmãos (2000), adaptado para a TV Globo em 2017.
  • Cinzas do Norte (2005), reconhecido nacional e internacionalmente.

Hatoum lembra a trajetória de sua família, que migrou de Beirute para o Brasil no início do século 20, estabelecendo-se em diferentes regiões amazônicas antes de fixar-se em Manaus. Em entrevista, o escritor também expressou seu posicionamento crítico em relação à política israelense na Faixa de Gaza, defendendo uma solução de um único Estado laico e democrático para palestinos, judeus e cristãos.

Inicialmente hesitante em se candidatar à ABL por não se considerar alinhado ao perfil tradicional da instituição, Hatoum foi incentivado por amigos e pela acadêmica Ana Maria Machado, que destacaram a importância de sua eleição para valorizar a literatura amazônica.

A chegada de Milton Hatoum à Academia Brasileira de Letras reforça o papel da instituição na preservação da língua portuguesa, na promoção da produção intelectual e na visibilidade de escritores de todas as regiões do país, consolidando sua trajetória como um dos nomes mais importantes da literatura brasileira contemporânea.

Foto: Divulgação

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