O coronel Antônio Aginaldo de Oliveira, de 57 anos, ex-comandante da Força Nacional e marido da deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), encontra-se em Israel sem previsão de retorno ao Brasil. A informação foi confirmada pelo advogado do casal, Fábio Pagnozzi, que relatou que Aginaldo está “meio assustado” após descobrir que suas contas bancárias e seu salário de policial militar foram bloqueados por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Aginaldo, natural do Ceará, era secretário de Segurança Pública de Caucaia, município na Região Metropolitana de Fortaleza, até ser exonerado em julho de 2025 pela prefeitura local. Ele se afastou do cargo para acompanhar Zambelli em uma viagem à Itália, onde a deputada foi presa em 29 de julho, após quase dois meses foragida da Justiça brasileira. Zambelli foi condenada a 10 anos e 8 meses de prisão por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes foi inserido.
Bloqueio de Contas e Críticas ao STF
Ao desembarcar em Israel, Aginaldo descobriu que suas contas haviam sido congeladas e sua aposentadoria bloqueada em 100%, por ordem de Moraes, no âmbito do Inquérito das Fake News (Inquérito 4.781), que investiga ameaças e desinformação contra o STF. O ministro justificou a medida alegando que Aginaldo poderia, no futuro, auxiliar uma fugitiva – referência a Zambelli.
O advogado Pagnozzi criticou a decisão como “bizarra” e “medieval”, questionando como Aginaldo se sustentaria sem acesso a recursos: “Bloqueia 100% e ele come o quê? Morre de fome? O que eles fazem é enforcar parentes e amigos próximos para que essas pessoas não aguentem”. O STF não comentou o caso, pois o processo corre em sigilo.
Prisão de Carla Zambelli e Fuga do Casal
Zambelli foi presa em um apartamento no bairro Aurélio, em Roma, e transferida para o presídio feminino de Rebibbia, com capacidade para 369 detentas, mas superlotado.
A Corte de Apelação de Roma manteve a prisão preventiva, negando pedido de domiciliar, enquanto tramita o processo de extradição, que pode durar de um a dois anos.
A defesa alegará problemas de saúde da deputada, incluindo fibromialgia rara e disfunções psicológicas, em audiência marcada para 13 de agosto.
O casal buscou asilo na Europa após a condenação de Zambelli, com Aginaldo acompanhando a esposa até sua prisão. Ele então seguiu para Israel, onde enfrenta o bloqueio financeiro.