Por: Rosane Gama
MANAUS-AM | Em 2025, quatro vidas foram brutalmente interrompidas em acidentes viários causados por buracos não sinalizados em importantes avenidas de Manaus. Os casos revelam uma realidade alarmante: a ineficiência da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), que, mesmo dispondo de milhões em recursos públicos, falha sistematicamente na manutenção das vias da capital amazonense. A responsabilidade recai diretamente sobre a gestão do prefeito David Almeida, que tem sido alvo de críticas por omissões recorrentes e respostas tardias.
Giovana e Maria Carolina: tragédia anunciada na Djalma Batista
O caso mais recente chocou a cidade. No domingo (22/06), a biomédica Giovana Ribeiro da Silva, de 29 anos, grávida de sete meses, morreu após o marido colidir com um buraco aberto na Avenida Djalma Batista. Lançada contra uma árvore, Giovana e sua filha, Maria Carolina, morreram no local. O buraco não possuía qualquer tipo de sinalização ou proteção.
Vídeos mostram que não havia alertas visuais nem barreiras. Moradores relatam que o problema era conhecido há dias e ignorado pela Seminf, mesmo com pedidos de intervenção.
Buraco na Camapuã mata idoso e só é consertado após exposição na mídia
Na terça-feira (20/05), Josué Moreira, de 64 anos, perdeu a vida após cair com sua moto em um buraco na Avenida Camapuã, zona norte. Segundo seu filho, Wilson, a prefeitura só agiu depois da repercussão:
“Depois da reportagem que mostraram que foi devido ao buraco que ele se acidentou e faleceu, eles vêm e consertam a rua.”
A resposta reativa e tardia gerou revolta. A população enxergou a ação como uma tentativa de contenção de danos políticos, e não como uma medida preventiva.
Colisão fatal na Torquato Tapajós por desvio de buraco
No sábado (01/03), um motociclista de 50 anos morreu após um carro frear bruscamente para desviar de um buraco na Avenida Torquato Tapajós. A manobra provocou uma colisão que lançou o motociclista na pista contrária, onde foi atropelado por uma carreta.
Mais uma vez, o problema era conhecido por frequentadores da via, mas ignorado pela gestão municipal.
R$ 881 milhões em orçamento, ruas esburacadas
A Secretaria Municipal de Infraestrutura contará, em 2025, com uma verba de R$ 881 milhões. Mesmo assim, a realidade das ruas de Manaus é de abandono. A atuação da Seminf é marcada por obras de má qualidade, ausência de sinalização e intervenções emergenciais que só ocorrem depois que vidas são perdidas.
A administração de David Almeida vem sendo duramente criticada por priorizar ações midiáticas enquanto negligencia investimentos em infraestrutura preventiva, um desequilíbrio que se traduz em tragédias evitáveis.
As vítimas, Giovana, Maria Carolina, Josué e Eduardo, perderam a vida por conta de uma infraestrutura negligente. Até o momento, nem a prefeitura nem a Seminf se pronunciaram de forma efetiva. Não houve responsabilização de servidores, tampouco mudanças estruturais na política de manutenção das vias.
Enquanto isso, motoristas e motociclistas continuam arriscando suas vidas em ruas repletas de crateras. A indignação cresce, e o clamor por justiça também.