A Polícia Federal (PF) realizou, na manhã desta quinta-feira (29/05), uma operação em Manaus para desarticular uma organização criminosa envolvida em um esquema de tráfico de drogas que movimentou milhões de reais por meio de transações financeiras com empresas de fachada e laranjas. Entre os investigados estão policiais civis, ex-vereadores do Amazonas, familiares dos principais alvos (como esposas, tios e irmãos) e uma empresária. A ação, que cumpriu mandados de busca e apreensão e prisão em condomínios de alto padrão, como o Residencial Passaredo, reforça o combate ao crime organizado no estado.
Detalhes da operação
A operação, cujo nome não foi divulgado até o fechamento desta matéria, mobilizou cerca de 100 policiais federais para cumprir mandados judiciais em Manaus, incluindo 10 prisões preventivas, 15 buscas e apreensões e bloqueio de contas bancárias. A investigação, iniciada em 2024, revelou uma rede complexa que utilizava laranjas e empresas fictícias para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas, principalmente cocaína e maconha tipo skunk, transportadas pela Rota Solimões e distribuídas em Manaus e outros estados.
Os policiais civis investigados, lotados em delegacias como o Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e a Delegacia de Combate ao Narcotráfico (Denarc), são suspeitos de facilitar o tráfico em troca de propinas, fornecendo informações privilegiadas e garantindo a logística das operações. Ex-vereadores, cujos nomes não foram revelados, teriam usado seus contatos políticos para proteger o esquema, enquanto familiares dos líderes atuavam como laranjas, registrando empresas e contas bancárias para ocultar os lucros. A empresária, apontada como uma das financiadoras, seria dona de um posto de gasolina e uma construtora, usados para lavagem de capitais.
A PF identificou movimentações financeiras atípicas superiores a R$ 50 milhões entre 2023 e 2025, com transações envolvendo empresas de fachada no setor de construção, transporte fluvial e comércio varejista. Um relatório da investigação, citado pelo G1 Amazonas, aponta que o grupo utilizava balsas, aviões e helicópteros para transportar drogas da tríplice fronteira (Brasil, Colômbia, Peru) até Manaus, de onde eram distribuídas para São Paulo, Rio de Janeiro e Europa.