A Polícia Civil do Amazonas indiciou a advogada Adriane Cristine Cabral Magalhães por suspeita de extorsão e tentativa de coação de testemunha, em um caso que teve início após a denúncia de assédio sexual feita por uma ex-secretária contra um advogado atuante em Manaus. A investigação apontou que Adriane teria atuado para tentar obter vantagem financeira em troca do silêncio da vítima sobre o suposto crime.
O caso veio a público em abril, após a ex-funcionária Marcela Nascimento Pinto procurar a imprensa para denunciar o então chefe, Charles Garcia, por assédio sexual. Os episódios teriam ocorrido dentro de um escritório de advocacia no bairro Adrianópolis, zona centro-sul da capital, entre fevereiro e abril de 2024.
Marcela relatou que os abusos aconteciam principalmente quando a esposa de Charles — também sócia do escritório — se ausentava da cidade para tratamento de saúde. Segundo a vítima, ela era chamada à sala do advogado sob o pretexto de tratar de assuntos de trabalho e, ao chegar, era surpreendida com comportamento de cunho sexual e investidas inapropriadas.
“Ele conhecia a rotina da esposa e sabia quando ela estaria ausente. Era nesses momentos que ele me chamava para a sala e se aproveitava da situação”, contou Marcela à época.
Tentativa de acordo e indiciamento por extorsão

Durante a apuração da denúncia, a polícia identificou indícios de que a advogada Adriane Magalhães, que representava Marcela, tentou intermediar um acordo extrajudicial com valores que chegaram a R$ 500 mil para que a vítima não levasse o caso adiante. O advogado Antônio Lúcio, que participou de uma reunião com Adriane, relatou à polícia que a proposta teria partido dela, afirmando que a cliente — Marcela — “aceitaria não prosseguir com a denúncia mediante pagamento”.
Além disso, outra ex-funcionária do escritório, Najla Salim, afirmou ter sido pressionada por Adriane para se vincular ao caso como testemunha. Ela relatou abordagens insistentes, ligações telefônicas gravadas sem consentimento e tentativas de envolver seu nome nas acusações, mesmo tendo declarado que nunca presenciou condutas abusivas por parte de Charles Garcia.

A advogada Adriane nega as acusações. Em depoimento, ela afirmou que atua pro bono na defesa de vítimas de violência e que sua intenção era apenas informar a esposa de Charles sobre as denúncias, sem qualquer tentativa de negociação ou solicitação de valores.
Apesar da negativa, a Polícia Civil considerou que há evidências suficientes para o indiciamento de Adriane por extorsão (art. 158 do Código Penal) e tentativa de coação de testemunha (art. 344). O relatório do inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que agora irá analisar se apresenta denúncia à Justiça.
O caso segue em apuração e também tramita na esfera trabalhista, com desdobramentos envolvendo outras ex-funcionárias do escritório.
Na tarde desta quarta-feira (21) o advogado emitiu uma nota de esclarecimento sobre o caso.