A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), vinculada à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), esclareceu que os casos suspeitos registrados em escolas de Iranduba, inicialmente associados à mpox, foram confirmados como varicela (catapora) após investigação e exames laboratoriais. A confirmação, divulgada na quinta-feira (15/05), pôs fim a rumores e reforçou a importância de diagnósticos precisos para evitar alarmismo.
Investigação e Ações da FVS-RCP
A suspeita de mpox em Iranduba surgiu devido à semelhança de sintomas, como febre e lesões na pele, mas análises conduzidas pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM) confirmaram que os casos são de varicela, uma doença viral comum em crianças. O chefe do Departamento de Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP, Alexsandro Melo, destacou o suporte oferecido à vigilância local: “Estivemos em contato com a vigilância de Iranduba, oferecendo orientações e esclarecendo sobre as ações de enfrentamento. Os resultados laboratoriais confirmam que se trata de varicela, e não mpox.”
A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, enfatizou a atuação preventiva da SES-AM: “Realizamos o acompanhamento adequado. Em Iranduba, promovemos uma reunião técnica com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) para reforçar medidas de vigilância, controle e educação em saúde.” A Secretaria de Educação do município também foi informada para alinhar as ações preventivas nas escolas.
A Semsa Iranduba publicou uma nota oficial no Instagram, confirmando que não há casos de mpox no município e anunciando o reforço nos protocolos de vigilância para a doença. A FVS-RCP realizou ações educativas, incluindo orientações sobre sintomas, modos de transmissão e prevenção, visando tranquilizar a população e evitar estigma.
Diferenças entre Varicela e Mpox
Embora varicela e mpox compartilhem sintomas como febre e lesões cutâneas, a FVS-RCP destacou diferenças cruciais:
- Varicela (catapora): Comum em crianças, inicia com bolhas pelo corpo que evoluem rapidamente para crostas. É altamente contagiosa, transmitida por contato direto ou gotículas respiratórias, mas geralmente tem curso leve em pessoas saudáveis.
- Mpox: Provoca lesões dolorosas, febre alta, inchaço dos gânglios linfáticos e sintomas mais intensos. A transmissão ocorre por contato próximo com lesões, fluidos corporais ou objetos contaminados, e os casos podem ser mais graves, especialmente em imunossuprimidos.
A confusão inicial em Iranduba reflete a necessidade de diagnósticos laboratoriais precisos, já que a semelhança visual das lesões pode gerar alarmismo, especialmente em um contexto de 35 casos confirmados de mpox no Amazonas em 2025, conforme o informe da FVS-RCP de 7 de maio.
Medidas de Prevenção nas Escolas
A FVS-RCP recomendou estratégias específicas para ambientes escolares em Iranduba, incluindo:
- Educação em saúde: Informar alunos, pais e professores sobre sintomas e modos de transmissão da varicela.
- Higiene reforçada: Disponibilizar pias com água e sabão ou álcool 70% para lavagem frequente das mãos.
- Identificação precoce: Afastar imediatamente crianças com sintomas suspeitos (febre, bolhas ou lesões).
- Ventilação: Manter salas de aula bem ventiladas para reduzir a transmissão por gotículas.
- Combate ao estigma: Adotar uma abordagem empática para evitar discriminação contra crianças afetadas.
A vacina contra varicela, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças a partir de 15 meses (com reforço aos 4 anos), é a principal medida preventiva. A FVS-RCP também orienta que crianças com sintomas sejam isoladas até que as lesões formem crostas, geralmente em 5 a 7 dias.
Cenário Epidemiológico no Amazonas
O Amazonas registrou uma redução de 56% nos casos de mpox no primeiro quadrimestre de 2025 em comparação com o último quadrimestre de 2024, com 94 notificações e 35 casos confirmados até 7 de maio, segundo a FVS-RCP. Não há registros de óbitos por mpox no estado, e a vacinação contra a doença, iniciada em março, tem sido ampliada para grupos prioritários.
Por outro lado, a varicela é uma doença sazonal comum no Amazonas, com surtos frequentes em escolas devido à alta transmissibilidade. Em 2024, a FVS-RCP notificou 1.237 casos de varicela no estado, a maioria em crianças de 1 a 14 anos, sem mortes registradas. A campanha de vacinação contra varicela atingiu 85% de cobertura.