Boletim InfoGripe da Fiocruz alerta para alta mortalidade por Influenza A em idosos e crianças

Boletim da Fiocruz alerta para alta mortalidade por Influenza A em idosos e crianças no Brasil.
Redação Imediato Online
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na quinta-feira (15/05), emitiu um alerta preocupante sobre o aumento das hospitalizações e mortalidade por Influenza A no Brasil, que se tornou a principal causa de óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em idosos e está entre as três principais em crianças. A análise, referente à Semana Epidemiológica 19 (4 a 10 de maio de 2025), destaca um crescimento significativo de casos de SRAG, impulsionado pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças pequenas e pela Influenza A em jovens, adultos e idosos.

Cenário Epidemiológico

O boletim aponta um aumento de casos de SRAG em todo o país, com tendências de crescimento nas últimas seis semanas (longo prazo) e três semanas (curto prazo). No ano epidemiológico de 2025, foram notificados 56.749 casos de SRAG, sendo:

  • 46,5% (26.415) com resultado positivo para algum vírus respiratório.
  • 38,5% (21.863) negativos.
  • 8,7% (4.916) aguardando resultado laboratorial.

Entre os casos positivos, a prevalência nas últimas quatro semanas foi:

  • 55,3% para VSR.
  • 30,1% para Influenza A.
  • 16,1% para rinovírus.
  • 2,6% para Sars-CoV-2 (Covid-19).
  • 0,7% para Influenza B.

Entre os óbitos, a Influenza A domina com 63,7%, seguida por:

  • 14% para VSR.
  • 12,9% para Covid-19.
  • 10,3% para rinovírus.
  • 1,4% para Influenza B.

Influenza A e Mortalidade

A Influenza A emergiu como a principal causa de mortalidade por SRAG em idosos, superando a Covid-19, que agora é a segunda maior causa nessa faixa etária. Em crianças pequenas (até 2 anos), a Influenza A é a terceira causa de óbitos por SRAG, atrás do VSR e do rinovírus. A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, destaca que a mortalidade por SRAG em crianças pequenas está se aproximando dos níveis observados em idosos, um cenário que exige atenção redobrada.

As hospitalizações por Influenza A atingem níveis moderados a altos em estados do Centro-Sul (Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina), Norte (Amapá, Pará, Rondônia) e Nordeste (Ceará, Maranhão). Mato Grosso do Sul é apontado como o estado com maior incidência, apresentando um quadro crítico desde abril.

VSR em Crianças

O VSR continua sendo o principal responsável pelo aumento de SRAG em crianças pequenas, com incidência moderada a muito alta em diversas regiões. Apesar de sinais de desaceleração ou reversão em estados do Centro-Oeste, Sudeste e Maranhão, a incidência permanece elevada, exigindo cuidados contínuos. O VSR é a principal causa de mortalidade por SRAG em crianças até 2 anos, seguido por rinovírus e Influenza A.

Portella alerta: “Ainda não é o momento de relaxar os cuidados, já que a incidência de casos continua alta ou moderada em muitas regiões.” No Piauí e Pernambuco, embora a incidência geral de SRAG não esteja em nível de alerta, os casos em crianças menores de 2 anos estão crescendo, alcançando níveis moderados.

Estados e Capitais em Alerta

Quinze estados apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco, com crescimento na tendência de longo prazo:

  • Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Tocantins.

Outros oito estados têm incidência em níveis de alerta, mas sem crescimento significativo:

  • Amapá, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Pará, Sergipe, Rio Grande do Norte.

Entre as capitais, 14 estão em nível de alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento:

  • Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Manaus (AM), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Porto Velho (RO), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Teresina (PI), Vitória (ES).

Recomendações da Fiocruz

Diante do cenário, a Fiocruz reforça a importância de medidas preventivas, especialmente para grupos vulneráveis (crianças, idosos, gestantes e imunocomprometidos):

  • Vacinação contra Influenza: A vacina é a medida mais eficaz para prevenir hospitalizações e mortes. A campanha de 2025, ampliada para todas as faixas etárias desde abril, é essencial para reduzir casos graves.
  • Uso de máscaras: Recomendado em unidades de saúde, locais com aglomeração e para pessoas com sintomas de gripe ou resfriado. Máscaras como N95, KN95 ou PFF2 são as mais indicadas.
  • Isolamento: Pessoas com sintomas gripais devem permanecer em casa para evitar a disseminação de vírus.
  • Evitar exposição de crianças: Crianças com sintomas não devem frequentar escolas ou creches, especialmente em estados com alta circulação de VSR.

Tatiana Portella enfatiza: “A vacinação é fundamental, principalmente para os grupos prioritários. Além disso, o uso de máscaras em locais fechados e a atenção aos sintomas são medidas simples que salvam vidas.

Carregar Comentários