A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira, 13 de maio de 2025, a quinta fase da Operação Sisamnes, investigação que mira um suposto esquema de venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A ação é considerada uma das mais graves ofensivas contra a corrupção no Judiciário brasileiro.
A operação apura crimes como lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, mercado de câmbio clandestino, evasão de divisas e organização criminosa. Segundo a PF, o grupo criou uma “rede financeira-empresarial” com o objetivo de ocultar o repasse de propinas em troca de decisões judiciais favoráveis.
O que foi feito nesta fase da operação
- 11 mandados de busca e apreensão em três estados e no DF
- Sequestro de bens e valores estimados em R$ 20 milhões
- Bloqueio de passaportes e proibição de contato entre investigados
- Operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF)
Lobista Andreson Gonçalves é apontado como líder do esquema
No centro das investigações está o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, preso desde novembro de 2024 e tido como o principal articulador do esquema. Sua prisão preventiva foi mantida pela Primeira Turma do STF, após o ministro Cristiano Zanin apontar “elementos consideráveis” de sua liderança em uma organização criminosa que envolvia advogados, assessores e servidores públicos.
Conversas interceptadas entre Andreson e o advogado Roberto Zampieri (assassinado em 2024) revelam tratativas sobre a venda de decisões judiciais, inclusive com menções a um servidor ligado ao gabinete da ministra Isabel Gallotti, do STJ. A ministra, assim como outros magistrados da Corte, não é alvo da investigação.
Trama envolve outros tribunais e operações paralelas
A Operação Sisamnes não se limita ao STJ. Conexões foram encontradas com esquemas semelhantes nos tribunais de Justiça de Mato Grosso, Maranhão, Bahia e Mato Grosso do Sul.
- Em novembro de 2024, a primeira fase prendeu Andreson e afastou desembargadores do TJ-MT.
- A Operação 18 Minutos, no Maranhão, indiciou 23 pessoas, incluindo três desembargadores.
- Na Bahia, a Operação Faroeste revelou corrupção ligada à grilagem de terras, com cinco desembargadoras investigadas.
Como o esquema funcionava
A rede criminosa utilizava operações imobiliárias e empresas de fachada para lavar dinheiro de propinas. Mensagens e documentos analisados pela PF indicam que decisões judiciais eram encomendadas por empresários e intermediadas por advogados e lobistas.
O conteúdo obtido com a apreensão do celular de Zampieri foi considerado o estopim da investigação, revelando até o vazamento de decisões sigilosas que prejudicaram investigações em curso.
Impacto e reação do Judiciário
Embora nenhum ministro do STJ esteja formalmente envolvido, o caso abala a credibilidade da Corte, a segunda mais importante do país. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o STF atuam no monitoramento das investigações, mas enfrentam pressões por maior celeridade em processos que envolvem membros do Judiciário.
A PF e o Ministério Público Federal (MPF) seguem analisando provas e novas fases da operação podem ocorrer nas próximas semanas.
Resumo do caso:
- PF apura esquema de venda de decisões judiciais no STJ
- Lobista Andreson Gonçalves liderava a organização, segundo o STF
- Investigações atingem também TJ-MT, TJ-MA e TJ-BA
- R$ 20 milhões em bens e valores bloqueados nesta fase
- Operação reforça crise de confiança no Judiciário