Na noite de 9 de dezembro de 2024, um caso aterrador repercutiu nas redes sociais e chocou a cidade de Manaus. Sâmela e Rafaela, duas motoboys, estavam realizando uma entrega de lanche no bairro São Jorge, quando viveram uma experiência de terror. O que parecia ser uma abordagem policial se transformou em uma perseguição seguida de disparos, deixando as vítimas gravemente feridas.
Em entrevista à nossa equipe nesta terça-feira (10), Rafaela relatou, visivelmente abalada: “Naquele momento, pensei que era um assalto, porque ele mandou a gente encostar e atirou. Eu não sabia o que estava acontecendo”. A situação começou quando o condutor de um Volkswagen Gol, em alta velocidade, bateu na moto das duas durante a entrega. Após a colisão, as vítimas seguiram para realizar outra entrega, mas perceberam que estavam sendo perseguidas pelo mesmo veículo na avenida Constantino Nery.

Sâmela, que estava pilotando a moto, foi a primeira a perceber a aproximação do carro. “Eu olhei no retrovisor e falei para a Rafaela que o carro estava nos seguindo. Não deu tempo de mais nada, ele já estava ao nosso lado, apontando uma arma para mim e mandando parar”, contou. O que parecia ser uma abordagem policial logo tomou um rumo dramático: “Ele não se identificou como policial, não estava de uniforme e, sem aviso, disparou contra nós”, disse Rafaela, ainda em choque.
O disparo fez com que Sâmela perdesse o controle da moto e as duas caíssem no viaduto da Constantino Nery. “Na hora que caímos, eu pensei que ele viria para nos ajudar. Mas, para minha surpresa, ele foi direto tentar tirar o capacete de Sâmela, e só falava para ela tirar o capacete”, contou Rafaela. Elas pediram ajuda à população, mas foram surpreendidas por uma revelação ainda mais chocante: o homem que as atacara não era um criminoso comum, mas um falso policial. “Ele disse que era da polícia e, mesmo depois de atirar em nós, se negou a prestar socorro”, disse Sâmela, que ainda tentava se recuperar do choque e da dor após o acidente.
Com a chegada de vários motoboys ao local, o clima de revolta tomou conta das ruas. “Os motoboys cercaram o carro dele, querendo saber se ele realmente era policial. Quando ele tentou fugir, os motoboys foram atrás dele”, relatou Rafaela. A polícia chegou minutos depois, mas o atacante já havia fugido.
Agora, com os dois veículos danificados e suas vidas em risco, as vítimas se encontram sem condições de trabalhar. “Nosso meio de vida foi tirado. A moto era tudo para nós, era o nosso sustento. Agora, não sabemos como vamos nos manter”, desabafou Rafaela. Sâmela, que também se viu sem condições de continuar no trabalho, completou: “A moto era a minha vida. Eu estava começando na área de enfermagem, mas tudo que eu conseguia pagar era com as entregas. Agora, tudo mudou”.

As vítimas estão agora em busca de justiça e lutam para se reerguer após a agressão brutal que sofreram. A sociedade de Manaus, chocada com o caso, aguarda respostas das autoridades, enquanto as motoboys seguem se recuperando fisicamente e emocionalmente desse episódio traumatizante.