Polícia Federal prende ex-comandante de forças especiais em operação contra tentativa de golpe de Estado

Operação da Polícia Federal desarticula grupo que planejava ataques contra autoridades do país.
Redação Imediato Online
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A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (19) a Operação “Contragolpe”, com foco na desarticulação de um esquema criminoso que planejava atentados contra autoridades máximas do país. Entre os alvos das prisões está o tenente-coronel Helio Ferreira Lima, ex-comandante da 3ª Companhia de Forças Especiais de Manaus do Comando Militar da Amazônia (CMA). Ele e outros três militares do Exército Brasileiro, além de um policial federal, foram detidos sob a acusação de envolvimento em uma conspiração que incluía o monitoramento e a tentativa de assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Segundo a Polícia Federal, o grupo teria planejado envenenar as autoridades, com passos detalhadamente monitorados. As operações de busca e apreensão e as prisões ocorreram nas cidades de Goiânia e Rio de Janeiro e foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, que integra o STF e também o Tribunal Superior Eleitoral. Até o início da manhã desta terça, todas as prisões haviam sido cumpridas.

Helio Ferreira Lima, um dos principais nomes presos na operação, foi destituído do comando da 3ª Companhia de Forças Especiais em fevereiro deste ano, quando as investigações começaram a ganhar força. O nome do militar apareceu em trocas de mensagens com Mauro Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. A exoneração de Lima foi publicada no Diário Oficial da União no mesmo dia em que outra fase das apurações foi deflagrada.

Além de Lima, foram presos o general da reserva Mario Fernandes, o tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo, o major Rafael Martins de Oliveira e o policial federal Wladimir Matos Soares. Os quatro militares são ligados às forças especiais do Exército, popularmente conhecidos como “kids pretos”, em referência ao gorro preto que utilizam nas operações de elite.

De acordo com as investigações, os militares e o policial federal desempenhavam papéis estratégicos no esquema. Documentos, mensagens e outros materiais apreendidos nesta terça-feira devem ser submetidos à perícia para esclarecer a função de cada envolvido. A PF não divulgou detalhes sobre o papel de Helio Lima na organização criminosa.

A operação lança luz sobre as atividades de grupos radicais que, desde o resultado das eleições presidenciais de 2022, têm sido alvo de investigações por conspiração contra a democracia e tentativa de golpe de Estado. O caso segue sob sigilo judicial, mas as autoridades garantem que as ações buscam garantir a estabilidade democrática e a proteção das instituições do país.

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