MANAUS-AM | O Rio Negro está enfrentando uma crise sem precedentes, com níveis de água que atingiram marcas históricas baixas. Dados recentes do Serviço Geológico do Brasil (SGB) revelam que o nível do Rio Negro caiu para 16,75 metros, uma redução de 4,16 metros em comparação com o mesmo dia do ano passado. A queda média diária de 24 centímetros nas últimas semanas agrava a situação, sinalizando uma possível quebra de recordes históricos.
O impacto desta crise hídrica é particularmente severo no transporte fluvial, essencial para a logística na região amazônica. Em Manaus, os níveis do rio estão 3,70 metros abaixo da normalidade para a época do ano, afetando profundamente a navegação. Operadores de embarcações enfrentam dificuldades crescentes para transportar cargas e passageiros, com embarcações encalhando frequentemente e horários de viagens sendo alterados ou suspensos.

A situação é ainda mais alarmante em áreas remotas. Em Tabatinga, localizada a 1.108 quilômetros a oeste de Manaus, o nível do rio registrou -17,9 cm na última sexta-feira, após uma queda média diária de 8 cm na semana. Essa redução é a mais baixa já registrada desde o início das medições. Em Fonte Boa, embora a recessão seja menos intensa, a média diária de 3 cm ainda contribui para a crise regional.
Em Manacapuru, a 68 quilômetros de Manaus, a situação é preocupante com uma queda diária de 25 cm, e os níveis atingem 6,57 cm, dentro do intervalo das mínimas para a época. A Bacia do Rio Amazonas também apresenta níveis baixos, com descidas diárias de 18 cm em Itacoatiara e 17 cm em Parintins, valores que estão abaixo das mínimas históricas para o mês de setembro.
BOLETIM ESTIAGEM
As autoridades e operadores de transporte estão sendo forçados a encontrar soluções temporárias para mitigar os impactos da baixa dos níveis dos rios. Medidas como o uso de embarcações de menor calado e ajustes nos horários de navegação estão sendo implementadas, mas a situação requer uma resposta coordenada e de longo prazo para lidar com a crise hídrica.
O cenário atual destaca a necessidade urgente de monitoramento contínuo e de estratégias adaptativas para enfrentar as mudanças nos padrões hidrológicos da região amazônica. Enquanto isso, comunidades e empresas que dependem do transporte fluvial enfrentam um futuro incerto, aguardando soluções que possam aliviar os efeitos desta crise sem precedentes.
Confira:
Fotos – Vídeos: Herbert Gaúcho / Imediato