MANAUS-AM | Nesta quarta-feira, 4 de setembro, a 3ª Vara de Delitos de Tráfico de Drogas da Comarca de Manaus realizará uma audiência de instrução de julgamento por videoconferência envolvendo dez suspeitos no caso da ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso. Entre os interrogados estão Cleusimar Cardoso e Ademar Cardoso, mãe e irmão de Djidja, que enfrentam acusações graves de tortura, homicídio e outros crimes relacionados.
A decisão de realizar a audiência de forma virtual foi tomada pelo juiz Celso Souza de Paula, e o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) denunciou os envolvidos por tráfico de drogas, sendo que Cleusimar e Ademar também estão indiciados por crimes como tortura e homicídio. O promotor de Justiça André Virgílio Belota Seffair destacou que a 3ª Vara de Delitos de Tráfico de Drogas é responsável apenas pelos crimes relacionados ao tráfico, enquanto outros crimes graves cometidos por Cleusimar e Ademar serão analisados em processos separados.
A investigação liderada pelo delegado Cícero Túlio revelou a existência de uma seita religiosa conhecida como “Pai, Mãe e Vida”, fundada pela família Cardoso. A seita tinha como objetivo induzir funcionários de uma rede de salões de beleza ao uso de substâncias de controle veterinário, como Ketamina e Potenay. Cleusimar e Ademar, junto com o namorado de Djidja, Bruno Rodrigues, e os funcionários Claudiele Santos da Silva, Verônica da Costa Seixas e Marlisson Vasconcelos Dantas, foram acusados de operar um esquema criminoso sob o disfarce de atividades religiosas.
A Operação Mandrágora, que desmantelou a seita, revelou planos de criar uma clínica veterinária para facilitar a compra de medicamentos controlados e estabelecer uma comunidade para perpetuar suas práticas. Hatus Silveira, um dos envolvidos, atuava como elo entre os autores e os fornecedores das substâncias.
Desdobramentos e Prisões
Cleusimar Cardoso foi responsável por torturas que levaram à morte de Djidja em 28 de maio deste ano, devido a complicações decorrentes das agressões. A investigação revelou que as torturas foram registradas em vídeos feitos por Cleusimar. Além dos Cardoso, Bruno Rodrigues e Hatus Silveira foram presos em uma fase posterior da investigação, juntamente com dois funcionários da clínica veterinária que fornecia as substâncias.
Cleusimar e Ademar foram presos no dia 30 de maio, e Verônica da Costa Seixas foi detida juntamente com Claudiele Santos da Silva. Esta última teve sua prisão convertida para domiciliar devido à necessidade de cuidar de um filho menor de 12 anos. Marlisson Vasconcelos Dantas também foi preso e alguns funcionários da clínica tiveram suas prisões convertidas para domiciliares.
Foto: Reprodução / Montagem Imediato