Massacre no Compaj: podcast ALÉM DO CRIME aborda a parte dois da 2ª maior chacina do país

Podcast aborda os detalhes da segunda maior chacina do país, ocorrida no Compaj, em Manaus, há mais de 5 anos.
Redação Imediato Online
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MANAUS| AM – Há duas semanas, o podcast de true crime Além do Crime no Imediato abordou a primeira parte do Massacre do Compaj e nesta quinta-feira (10), o podcast vai continuar falando sobre a segunda maior chacina no Brasil. E hoje a jornalista Bruna Chagas e a advogada Penélope Antony recebem para conversar sobre o tema com a perita Gigi Barreto, a partir das 19h, com transmissão no aplicativo e também no site da rádio ZLZN e nas redes sociais do Imediato.

Há pouco mais de 5 anos, uma guerra entre facções criminosas rivais (FDN x PCC) se transformou na maior carnificina no maior presídio do Amazonas e deixou 56 mortos entre os dias 1 e 2 de janeiro em Manaus. O motim durou 17 horas, com algumas vítimas decapitadas.

Relembre o fato

O motim começou na tarde de domingo no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), localizado na BR-174. Na unidade haviam 1.224 homens, o triplo da capacidade (454), segundo dados de dezembro de 2016.

Conforme informações da Secretaria de Segurança, a rebelião foi motivada por uma disputa entre as facções criminosas Família do Norte e PCC. O governo do Amazonas, comandado por José Melo de Oliveira (Pros), avalia que a rebelião foi comandada pela Família do Norte e que a maioria dos mortos era do PCC.

O secretário estadual da Segurança Pública, Sérgio Fontes afirmou na época que havia uma guerra silenciosa que o Estado precisava intervir. O Narcotráfico. “Uma facção brigando com a outra. Porque cada uma quer ganhar mais dinheiro que a outra, a briga é por dinheiro e por espaço”, disse.

O juiz Luís Carlos Valois, titular da Vara de Execuções Criminais do TJ (Tribunal de Justiça) do Amazonas, foi entrevistado pela Folha de S. Paulo, pela jornalista Bruna Chaagas, e afirmou ter ficado chocado.
“Uma pilha de corpos, alguns esquartejados, sem braço, perna e sem cabeça, uma cena dantesca. Nunca vi um negócio tão horrível”, disse à Folha Valois, que foi ao complexo penitenciário no domingo para intervir junto aos detentos, após ser acionado pela secretaria da Segurança.

Arte: Josué JJ/RND

Fuga

Ao analisar os vídeos do circuito interno do Compaj, os delegados concluíram que os detentos do Seguro tentaram fugir, mas foram encurralados pelos membros da FDN em número muito maior nos fundos do presídio, no momento em que o Compaj estava completamente dominado pela facção, sem nenhuma ação do Estado. “Membros do PCC atearam fogo em colchões nas entradas das celas para tentar impedir que os integrantes da FDN conseguissem entrar nos espaços. Alguns detentos do PCC tentaram fugir por uma janela, de uma das celas, que foi serrada, mas foram alcançados pelos presos da FDN e foram mortos”, relatou o delegado Tarson Yuri.

Torturas

Nas imagens do circuito interno, os detentos que participaram do massacre aparecem molhando pedaços de tecido no sangue das vítimas e usando para escrever as siglas da facção nas paredes do Compaj. Nas celas especiais do “seguro” que os membros da FDN não conseguiram invadir, segundo os delegados, os presos foram mortos por asfixia em função do fogo que foi ateado nos colchões e por bala de revólveres.

Em vídeos divulgados pela Polícia Civil mostram o momento em que o presídio é dominado pelos presos. Eles aparecem em confronto a tiros com policiais militares que faziam a guarnição do espaço onde ficam as celas do “seguro”. Armados com revólveres, facões e facas, os membros da FDN usaram agentes penitenciários como escudo. Ainda segundo a PC, os presos que não morreram de imediato no ataque sangrento da FDN, foram levados para uma quadra poliesportiva no presídio onde foram torturados, decapitados, esquartejados e alguns até tiveram seus órgãos internos retirados.

Líderes transferidos

Ao todo 17 presos que estavam à frente da rebelião foram transferidos para presídios federais no dia 11 de janeiro.  

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