Três municípios do Amazonas passam a receber o projeto Escolas do Futuro, iniciativa que prevê a instalação de biodigestores em escolas públicas para transformar resíduos orgânicos em energia, biofertilizantes e conhecimento sobre sustentabilidade.
A próxima etapa do projeto será realizada em Rio Preto da Eva, onde duas escolas receberão os equipamentos. A instalação ocorre nesta terça-feira (15), na Escola Municipal Luis Alberto Carvalho Castelo, e na quinta-feira (17), na Escola Estadual de Tempo Integral Alegria do Saber.

Depois de Rio Preto da Eva, a iniciativa será levada aos municípios de Silves e Itapiranga. Ao todo, mais seis escolas dessas três cidades serão contempladas nesta etapa.
O projeto é desenvolvido pela Eneva, em parceria com a Amazônia B e o Instituto Ecoleta. A iniciativa começou em agosto, com a instalação do primeiro biodigestor na Escola Estadual Cid Cabral, em Manaus.
A previsão inicial é de implantação em dez escolas públicas: quatro em Manaus, duas em Rio Preto da Eva, duas em Silves e duas em Itapiranga. Segundo os responsáveis pelo projeto, uma nova expansão deverá levar os equipamentos a outras cinco escolas nos próximos meses.
Resíduos são transformados em energia
Os biodigestores recebem resíduos orgânicos e utilizam bactérias anaeróbias para decompor o material em um ambiente fechado. Durante o processo, é produzido metano, que é capturado e transformado em biogás.

Nas escolas participantes, o biogás poderá ser utilizado no preparo das refeições. O material restante do processo será transformado em biofertilizante, que poderá ser utilizado em hortas e áreas verdes das unidades.
Cada equipamento tem capacidade para processar até 10 quilos de resíduos orgânicos por dia.
A expectativa é que mais de 20 toneladas de resíduos orgânicos deixem de ser encaminhadas para aterros sanitários ao longo de um ano. A estimativa do projeto também aponta para a redução de aproximadamente 8 toneladas de CO₂ e até 300 quilos de metano por ano.
Projeto também prevê atividades com estudantes
Além da instalação dos equipamentos, o programa prevê atividades de educação sustentável com os estudantes das escolas participantes.
Os alunos terão acesso a oficinas, visitas guiadas aos biodigestores e conteúdos relacionados à economia circular, compostagem, bioeconomia, culinária sustentável e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A proposta é utilizar o funcionamento dos equipamentos como ferramenta pedagógica, permitindo que os estudantes acompanhem o processo de transformação dos resíduos em energia e biofertilizante.
“Mais do que instalar um biodigestor, queremos deixar um legado para as escolas. O projeto aproxima os estudantes de soluções que já fazem parte da economia de baixo carbono e mostra, na prática, como tecnologia, sustentabilidade e inovação podem transformar a realidade”, afirmou Bellmond Viga, diretor da Amazônia B.
Iniciativa busca reduzir desperdício
O projeto também está relacionado ao reaproveitamento de resíduos orgânicos e à redução do desperdício de alimentos.
Segundo dados citados pela iniciativa, cerca de 1,05 bilhão de toneladas de alimentos foram desperdiçadas no mundo em 2022, enquanto aproximadamente 783 milhões de pessoas enfrentavam a fome.
O desperdício também está relacionado ao uso de recursos naturais empregados na produção dos alimentos, como água, solo e energia.
Para a Eneva, a instalação dos biodigestores permite aproximar os estudantes de temas como economia circular, transição energética e mudanças climáticas.
“O que torna esse projeto tão especial é a capacidade de transformar conceitos como economia circular, transição energética e mudanças climáticas em experiências concretas para os estudantes”, afirmou Aurélio Amaral, diretor-executivo de Relações Institucionais e Comunicação da Eneva.
A iniciativa está alinhada a cinco Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas: ODS 4, Educação de Qualidade; ODS 7, Energia Limpa e Acessível; ODS 11, Cidades e Comunidades Sustentáveis; ODS 12, Consumo e Produção Responsáveis; e ODS 13, Ação Climática.
Com a expansão para Rio Preto da Eva, Silves e Itapiranga, o projeto amplia a presença da tecnologia de biodigestão em escolas públicas do Amazonas e integra o reaproveitamento de resíduos às atividades de aprendizagem.